Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 23/07/2021

No documentário “Take Your Pills”, é retratado a crescente automedicação entre os jovens saudáveis, que utilizam remédios estimulantes para desempenharem melhor performance nos estudos ou no trabalho. Fora da ficção, a automedicação ainda é muito praticada e ocorre quando há o uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas. Diante dessa perspectiva, a naturalização e a omissão governamental agravam a problemática.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a escassa abordagem do tema como um problema. Sob esse viés, segundo o sociólogo alemão Georg Simmel, essa banalização é denominada “Atitude Blase”, uma proposta de seu livro “The Metropolis and Mental Life”, que ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio as situações que deveria dar atenção. Nessa lógica, a inexistência de debate acerca da temática gera complicações, como intoxicação, alívio dos sintomas que mascara o diagnóstico, reação alérgica, dependência e resistência ao medicamento . Desse modo, a medicação feita sem prescrição médica quando banalizada torna-se um hábito com problemas colaterais ao longo prazo. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, uma vez que conforme o G1-globo, a automedicação é um costume comum a 77% dos brasileiros.

Ademais, é fundamental apontar a ausência de políticas públicas como impulsionador da questão no Brasil. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, essa situação configura-se como uma violação da sua teoria de “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o seu dever de garantir os serviços necessários para o bem-estar da população. Nessa linha de raciocínio, é necessário que o Estado forneça conhecimento sobre a automedicação e trabalhe nas principais causas que contribuem para essa prática, dentre elas o aspecto cultural de tomar remédio por conta própria, sem a necessidade de procurar um profissional, a falta de fiscalização na venda de medicamentos prescritos, a venda livre de remédios e o livre acesso à informações sobre doenças por meio da internet.

Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parcerias com as mídias, deve realizar a elaboração de campanhas publicitárias, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias digitais, com o objetivo de informar o que é a automedicação e a consequência dessa para saúde, além de ampliar a fiscalização na compra de medicamentos, afim de diminuir a automedicação no Brasil. Assim, se consolidará um sociedade mais abrangente, na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Thomas Hobbes.