Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/08/2021
O Mito da Caverna, de Platão, mostra, de forma alegórica, como as pessoas se recusavam a olhar para a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. De maneira análoga, o mesmo acontece na sociedade brasileira no que tange ao assunto da automedicação e seu paradoxo, visto que muitas vezes tal temática não é reconhecida e discutida pela população. Nesse viés, percebe-se a configuração de um grave problema que tem como causas o silenciamento da mazela e a lacuna educacional.
Primeiramente, a falta e debates é um desafio latente que torna o paradigma cada vez mais distante de uma possível solução. Segundo o filósofo Michael Foucault, temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, conclui-se que o silêncio acerca do paradoxo da automedicação é algo muito sério, mas que, consequentemente, mantém poderosas empresas farmacêuticas no poder. Desse modo, tais estabelecimentos incentivam o uso indiscriminado de medicações como forma de eliminar os impasses para uma produtividade impecável no cotidiano das pessoas, o que contribui para graves consequências, a intoxicação por remédios, por exemplo.
Em segundo plano, a lacuna educacional no sistema público de ensino brasileiro é, infelizmente, uma forte motivação para que a problemática ainda persista. De acordo com Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, é perceptível como o educandário exerce uma função primordial na vida dos estudantes. Logo, é muito importante que as escolas trabalhem ativamente no que se refere aos perigos e paradoxos da automedicação, pois, dessa maneira, o conhecimento adquirido pelos alunos contribui de forma fundamental para que tais práticas sejam combatidas e evitadas.
Portanto, medidas devem ser tomadas para mitigar esse impasse. Para isso, o Ministério da Saúde, em parceria com centros de ensino, deve promover a criação de informes publicitários e debates que abordem com os estudantes e com toda a comunidade escolar sobre os riscos do uso inadequado de medicações, por meio de um projeto educacional de alerta aos perigos da automedicação. Além disso, esse evento deve contar com a presença de médicos especialistas e de farmacêuticos, a fim de que os paradoxos do uso de remédios sem prescrição clínica possam ser conhecidos e, consequentemente, ocorra o combate a tal prática. Assim, espera-se a consolidação de um Brasil melhor e mais consciente.