Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 19/08/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a automedicação torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Esse cenário antagônico é fruto tanto da precariedade do sistema de sáude pública, quanto do livre acesso à informações sobre medicamentos por meio da internet. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a automedicação deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável para garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Assim sendo, devido à falta de atuação das autoridades, o sistema de saúde pública se encontra em estado precário, possibilitando a dificuldade do agendamento de consultas, falta de qualidade dos atendimentos, alto número de unidades falidas e poucas vagas para internação. Tais problemas pontuados, têm como consequência a necessidade do uso de medicação por conta própria, que como resultado pode gerar a intoxicação ou reações alérgicas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o livre acesso à informações de medicamentos por meio da internet como promotor do problema. De acordo com a pesquisa do Conselho Federal de Medicina, cerca de 77% dos brasileiros fazem o uso de medicação sem orientação médica. Partindo desse pressuposto, o acesso à internet possibilitou a facilidade das informações de doenças e medicações, consequentemente, aumentou-se também a quantidade de receitas duvidosas e de notícias falsas acerca dos medicamentos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o acesso livre de informações acerca dos medicamentos por via internet, contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, por meio de uma reunião, possa investir na melhoria da saúde pública e criação de novas unidades possibilitando o acesso ao sistema de saúde, a fim de diminuir a taxa de automedicação. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da medicação sem orientação médica, a coletividade alcançará o bem-estar da população, tal como afirma Thomas Hobbes.