Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 20/08/2021
O artigo 6 da Constituição Federal garante a todos os indíviduos o direito à saúde, sendo dever do Estado sua promoção. No entanto, o efetivo exercício desse direito básico é dificultado pelo atual sistema capitalista de consumo, que negligencia o estado físico e psicológico da população, a qual sem devida educação acerca do tema, tende a recorrer - ainda que indevidamente - à automedicação para a resolução de seus problemas.
Em primeiro lugar, é importante destacar o papel do atual sistema de produção na perpetuação dessa realidade. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade hodiernamente se estrutura no que o autor definiu como ‘‘modernidade líquida’’, na qual o indivíduo e suas relações são submetidas à lógica capitalista de consumo. Nesse sentido, individualidades como a saúde física e mental da população são tratadas nessa perspectiva lucrativa, com sua demanda por rápidas soluções, de maneira a tornar o cidadão novamente apto a trabalhar, e evitando seu real tratamento e conduzindo à automedicação.
Além disso, a carência de instrução de grande parte da população sobre a automedicação os torna ainda mais vulneráveis. Segundo o filósofo Paulo Freire, quando o homem compreende a realidade, é possível que sejam levantadas hipóteses e solução sejam procuradas. Assim sendo, é imprescindível que as escolas alertem, desde cedo, as consequências da automedicação irresponsável e a forma correta de lidar com problemas específicos de saúde.
Torna-se evidente, portanto, a influência do sistema capitalista na busca por automedicação e a falta de instrução como maneira de propagar a problemática. É imperativo, dessa forma, que o Ministério da Educação inclua na grade curricular, aulas conduzidas por profissionais da saúde sobre o uso consciente de medicamentos e suas consequências quando manejados de forma incorreta, com o objetivo de conduzí-los a um tratamento adequado. Assim, o direito constitucional estará mais próximo.