Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 03/09/2021
Durante a pandemia da COVID-19, alguns políticos brasileiros, como o presidente Jair Bolsonaro, incentivaram a população a tomar ivermectina e hidroxicloroquina, a fim de prevenir a doença. Contudo, além da ineficácia comprovada desses medicamentos, estimular a automedicação é um risco para os indivíduos, pois ela pode levar a intoxicações e vícios. Nesse contexto, os interesses comerciais e a mídia fomentam essa prática.
Convém ressaltar, a princípio, o pensamento capitalista como propulsor da automedicação. Isso porque, consonante ao pensamento do filósofo Karl Marx, nesse sistema privilegia-se o lucro em detrimento dos valores. Sob essa ótica, é de interesse da indústria farmacêutica, para aumentar a arrecadação, vender cada vez mais os seus produtos, isto é, suas drogas. Por conseguinte, ela estimula o consumo de medicamentos, e a qualidade de vida dos brasileiros é ameaçada, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde, o excesso de remédios pode causar problemas hepáticos e cerebrais.
Outrossim, vale salientar a influência dos meios de comunicação na compra de remédios sem prescrição. De acordo com o escritor de pseudônimo George Orwell, a massa mantém a marca e a mídia manipula a massa, ou seja, é a propaganda que controla o consumo de produtos da indústria framacêutica. Nesse viés, comerciais de analgésicos e antigripais na televisão, ao tentar persuadir o telespectador, incentiva a automedicação. Assim, o marketing de medicamentos deve ser controlado, sob pena de de prejuízos a saúde pública.
Dessarte, é mister que o Estado tome providências para mitigar o problema da automedicação no país. Desse modo, para diminuir a venda de remédios pela indústria farmaceutica, urge que o Ministério da Saúde restrinja, por meio de um projeto de lei, as propagandas de medicamentos. Em síntese, o projeto deve proibir comerciais de drogas em horário televisivo nobre, além de encurtar seu tempo de duração. Feito isso, será possível privilegiar os valores morais, e não lucro, e proteger a saúde pública.