Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/09/2021

Na obra “A alegoria da caverna”, do filósofo grego Platão, demonstra um grupo de pessoas que se recusam a analisar a verdade em virtude do medo de sair da zona de conforto. Fora da alusão, o Brasil contemporâneo demonstra o mesmo conceito no que se refere a comunidade sobre a automedicação. Nesse contexto, a falta de consciência acerca da medicação sem prescrição médica, é um grave problema no Brasil, não só pelo consumo exacerbado, mas também à uma herança histórica deixada por uma sociedade obcecada por medicamentos.

Em primeiro lugar, é evidente que a automedicação excessiva impulsionada pelo consumismo irresponsável, é um grande responsável pela complexidade do problema. Nesse sentido, o conceito de “sociedade do consumo”, do sociólogo Zygmunt Bauman, representa o tipo de sociedade que promove ou reforça a escolha do estilo de vida consumista. Em suma, no que tange a automedicação acentuada, tal problema se fortalece graças as redes sociais, que incentivam aos telespectadores com propaganda de receitas e remédios milagrosos. Deste modo, os brasileiros têm uma visão errada sobre quanto a medicação, o que dificulta a resolução do problema.

Além disso, o legado histórico deixado por uma sociedade fanática por remédios, pois ignoravam seus malefícios, é uma das questões que desfavorece a medicação com acompanhamento no Brasil. Segundo antropólogo Levi-Strauss só é possível interpretar corretamente as ações coletivas a partir do entendimento histórico. Deste modo, o documentário “take your pills” diz que nos anos 60 a população utilizava de forma contínua e por conta própria a maior parte dos medicamentos disponíveis na época. Nesse sentido, o povo brasileiro ainda tem uma visão arcaica acerca da automedicação, o que impossibilita a erradicação do obstáculo.

Portanto, conclui-se que o Ministério da Saúde deve promover eventos, divulgados por meio de campanhas midiáticas e sociais, utilizamos serviços de influências digitais -para alcançar o maior número de pessoas, com propósito de refutar a idéia enraizada na sociedade de que pode usar remédio sem prescrição médica, construindo assim uma comunidade mais consciente. Além disso, a Secretaria de Educação deve promover debates em escolas, por intermédio de filmes e livros sobre consumo prevenido de remédios, incluindo perguntas com médicos de diversas áreas para os estudantes e seus responsáveis explicando os malefícios da automedicação, com intuito de reduzi-la.