Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 23/09/2021
Na série “House”, o personagem principal, embora fosse médico, utilizava alguns medicamentos de forma descontrolada e prejudicial à saúde. Fora da ficção, observa-se um quadro análogo ao da série, haja vista os casos de automedicação no Brasil do século XXI. Esse cenário é fruto, principalmente, da omissão estatal e da manipulação do mercado capitalista.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a negligência do poder público agrava o problema da automedicação. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, intituições zumbis são aquelas que deixam de cumprir seu papel social. Nesse sentido, pode-se afirmar que o Ministério da Saúde é uma dessas instituições, isso porque, devido ao investimento mínimo na estrutura de hospitais, na compra de equipamentos básicos e outras medidas, há longas filas de espera nas unidades de saúde e não há o atendimento adequado. Por conseguinte, uma parcela da população opta por se automedicar, o que coloca a própria saúde em risco. Acerca disso, é pertinente evidenciar a pesquisa feita pelo Instituto de Ciência, a qual afirma que mais de 40% dos brasileiros se autodiagnosticam e automedicam. Logo, diante desse quadro, é fulcral a reformulação da postura estatal.
Outrossim, é lícito postular que o sistema capitalista impulsiona esse revés. De acordo com o escritor George Orwell, a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia manipula a massa. Essa máxima materializa-se na medida em que a imprensa insiste em fazer uma publicidade abusiva que, em relação à indústria farmacêutica, por meio de propagandas apelativas, promete curas rápidas e remédios milagrosos. Dessa forma, uma parcela da população é manipulada por esses meios de comunicação de massa e recorre à automedicação. Mediante a esse quadro, fica claro que enquanto a mídia continuar influenciando a sociedade, essa prática será recorrente.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que haja a mitigação da problemática. A princípio, o Ministério da Saúde - responsável por garantir o bem-estar pleno da população - precisa realizar reformas no sistema público de saúde. Isso pode ser feito por meio de obras estruturais nas unidades médicas, contratação de médicos e enfermeiros e realização de projetos sociais que visem o fim das filas de espera. Sendo assim, a população será atendida de forma rápida e eficiente por profissionais aptos a prescrever medicamentos e deixará de recorrer à automedicação. Outrossim, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária - que tem o papel de fiscalizar as publicidades no Brasil - precisa analisar as propagandas da indústria farmacêutica que fazem falsas promessas ao consumidor. Logo, cenas como as de “House” não se repetirão.