Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/10/2021

A terceira Lei de Newton menciona que “Para cada ação há uma reação de mesma intensidade e sentido oposto”. De forma análoga a essa teoria, a ingestão de medicamentos sem prescrição médica pode provocar efeitos contrários ao desejado, inclusive à morte. Neste sentido, analisar o papel da mídia e a situação do sistema de saúde pública como influenciadores nessa postura social é necessário para que se busque soluções.

Em primeiro plano, vale destacar a interferência midiática nos casos de automedicação. Em sua maioria, as propagandas de fármacos são construídas de forma a induzir o consumo sem orientação e miniminizam o papel do especialista, visto que ele é citado rapidamente ao final delas, por meio da frase “Se persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado”. Segundo uma notícia do site G1, em média, 77% dos brasileiros se automedicam, o que demonstra tal influência nesse comportamento, já que a noção popular formada é a de priorizar o remédio.

Outrossim, o contexto do sistema público de saúde deve ser mencionado. Apesar de promover o acesso democrático, o Sistema Único de Saúde (SUS) apresenta diversos problemas, entre eles estão as longas filas de espera por atendimento, o que acarreta desânimo na comunidade. Aliado a essa situação, há o imediatismo - proposto pelo filósofo Zygmunt Bauman-, no qual, para o homem contemporâneo, as coisas devem acontecer de forma ágil e gerar a sensação de prazer, o que reforça o teor secundário na busca de um especialista e a escolha pela automedicação.

Torna-se evidente, portanto, a urgência em conhecer e combater tal comportamento civil. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com a Associação Médica Brasileira, deve fornecer um atendimento ágil, preciso e humanizado nos postos de saúde, por intermédio de filas exclusivas para casos leves, moderados e graves. Essas filas serão ramificadas para áreas diferentes do prédio e vários especialistas estarão aptos para um atendimento precoce e eficaz, a fim de garantir uma redução nas filas e nos casos de automedicação. Ademais, cabe as redes sociais, em parceria com influenciadores da área da saúde, elaborarem campanhas de combate ao uso indiscriminado de fármacos, por meio de exemplos práticos e estatísticas, de forma a influenciar o senso crítico popular sobre o tema.