Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 22/10/2021

Na série televisiva “Sob pressão”, o filho da médica Vera utiliza-se da falsificação da assinatura da mãe para comprar medicações. Fora do cenário artístico, no entanto, esse cenário de automedicação, que traz riscos como o da interação medicamentosa e da intoxicação, se faz presente na coletividade hodierna, e pode implicar no vício dos remédios administrados e na perpetuação desse hábito, haja vista que faz parte da cultura canarinha. Desse modo, é evidente a premência de sanar a problemática em questão.

Nesse sentido, é válido pontuar que a automedicação em debate no século XXI pode provocar a dependência química dos fármacos. Isso, porque, sem o devido acompanhamento de um profissional da saúde não há um controle nem uma vigilância acerca dos efeitos dos princípios ativos no organismo do indivíduo, o que pode desencadear mecanismos que deixam o corpo viciado nas substâncias presentes nas drogas. A exemplo disso, o documentário “Take your pills” traz casos de estudantes que, buscando melhorar seu desempenho nos estudos, recorrem a psicofármacos como Ritalina – situação que os deixava adictos desses remédios. Destarte, é fulcral que se reverta esse quadro patológico, que origina danos psíquicos e fisiológicos.

Outrossim, deve-se ressaltar que a automedicação em questão no século presente faz parte da cultura brasileira. Nesse contexto, de acordo com o pai da sociologia, Émile Dhurkheim, hábitos e valores exteriores são impostos de modo coercitivo pela vida em sociedade e, portanto, moldam o comportamento dos sujeitos. Ou seja, tomar medicamentos por conta própria, com a ajuda do Google ou de pessoas conhecidas, sem a devida prescrição médica, é transmitido de geração a geração, como um traço da cultura do país. Ademais, outro exemplo que confirma a máxima do sociólogo francês são os dados do Conselho Federal de Química: conforme estudo do órgão, cerca de metade do povo tupiniquim se automedica. Logo, é urgente que se modifique esse costume por meio da elucidação.                  Portanto, são essenciais medidas operantes para a resolução do problema da automedicação no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde – instituição responsável por dispor de condições para a proteção da saúde da população – informar sobre os riscos da automedicação, por meio de campanhas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas mídias sociais. Tudo isso necessita ser feito objetivando diminuir o número de brasilienses que fazem uso de remédios sem orientação profissional. Por conseguinte, quiçá, casos como o do filho da médica ficarão restritos ao campo cinematográfico.