Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 21/10/2021

A série “Grey’s Anatomy” mostra em seus episódios a importância do atendimento especializado médico na saúde da pessoas. De maneira análoga à ficção, embora seja de conhecimento global a relevância dos profissionais de saúde no que se refere à orientação e prescrição de remédios, observa-se problemas relacionados à automedicação, conduzidos, sobretudo, pelo avanço tecnológico e pelo descaso estatal.

A priori, convém destacar que os processos das Revoluções Industriais possibilitaram avanços em diversos âmbitos sociais, especialmente, no setor tecnológico com o advento da internet. Contudo, muitas vezes, essas novas tecnologias acabam substituindo o antendimento médico, em virtude das várias informações e métodos de diagnóstico presentes no ambiente virtual. Nesse sentido, dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) aponta que cerca de 40% dos pacientes fazem autodiagnóstico pela Internet e, consequentemente, se automedicam. Diante disso, tal cenário é preocupante e, por isso, precisa ser mudado.

Ademais, o descaso governamental é outro fator determinante na problemática. Sob esse viés, embora o direito à saúde esteja previsto na Constituição Cidadã de 1988, a realidade é oposta. Nesse prisma, muitas pessoas ao se depararem com alguns sintomas, resolvem tomar farmarcos por conta própria, pois os hospitais públicos de saúde, além de congestionados, são falhos e insuficientes. Assim sendo, tal contexto é alarmante, pois segundo a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 20 mil pessoas morrem ao ano vítimas da automedicação no Brasil. Logo, são necessárias ações que revertam tal conjuntura.

Portanto, cabe ao governo federal, órgão responsável pela administração pública, promover por meio de recursos midiáticos, como a televisão e as redes sociais, campanhas e debates de conscientização acerca dos riscos de ser tomar medicamentos sem prescrição. Nessa lógica, essas campanhas devem orientar a população a procurar os hospitais, em caso de suspeita de alguma enfermidade e, além disso, mostrar casos reais de pacientes que tiveram problemas sérios consequentes a prática de autodiagnóstico e medicação. Dessa forma, tais ações teriam como objetivo minimizar os problemas relacionados à automedicação no Brasil contemporâneo.