Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 02/11/2021
“Se os sintomas persistirem, um médico deve ser consultado" é uma frase que aparece ao final das propagandas do medicamento, que em sua maioria fala apenas dos benefícios da automedicação rápida em sintomas leves. De maneira paralela a isso, tem-se a automedicação. . em debate no século XXI. Cabe, assim, estabelecer que a volatilidade das informações, naturalizada na sociedade de consumo, e a medicalização da vida, como facilitador nas instituições sociais, são fatores que contribuem para o enraizamento dessa questão.
Primeiramente, é indubitável que as informações científicas acerca dos remédios são quase inerentes à população leiga, porém, com o crescimento farmacêutico tornado-se comum comprar remédios sem a prescrição adequada gerando um quadro conturbado. Desse modo, uma naturalização proposta fez com que uma sociedade líquida, defendida por Bauma como aquela que busca sanar os problemas de forma rasa, tenha em suas mãos uma pílula para consumar sua vontade de forma irresponsável. De maneira contrária à função, a automedicação que se estabeleceu não é apoiada pelo conselho federal de farmácia, pois a população não tem formação para manipular medicamentos. Nesse sentido, faz-se presente a necessidade de informar a população acerca dos riscos do uso indevido de medicamentos e instruir a procura de especialistas sempre que necessário.
Outrossim, é notório a medicalização da vida, o documentário “Take your pills” traz a realidade acadêmica na qual estudantes universitários tomam estimulantes para ter foco e atingir a excelência acadêmica que lhes é exigida, mesmo sendo 100% saudáveis. Dessa forma, se observa a realidade do pensamento sociológico de Émile Durkheim, no qual, ele explicita que os indivíduos tendem a realizar aquilo que lhes conferir maior destaque dentro da instituição social em que ele está inserido, mesmo conciente de que isso ocorre às custas de sua saúde. Em vista dos fatos supracitados é evidente que a automedicação é um perigo que foi banalizado constituindo um cenário preocupante para a saúde brasileira.
Dessarte, faz-se necessária a adoção de medidas que venham ampliar o debate da automedicação na sociedade do século XII. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde, dentro do Sistema Único de Saúde, fazer com que as pessoas se informem sobre o perigo de tomarem remédios com a ausência médica, por meio de palestras públicas e cartazes informativos nas farmácias a fim de que conscientizar a população, de forma que se promova uma sociedade mais preocupada com efeitos a longo prazo. Somente assim, poderá se construir uma realidade medicamentosa na qual as pessoas serão informadas por agentes especializados e não apenas por propagandas.