Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/10/2021

“Boa sorte” é um filme brasileiro que mostra o tratamento clínico de um jovem que fica viciado após se automedicar. Fora da ficção, infelizmente, a prática de consumir medicamentos sem prescrição médica é uma realidade no Brasil. Nesse sentido, convém analisar que a procura por soluções imediatas e a falta de restrições dessa prática são as principais responsáveis pelo quadro.

É importante ressaltar, de início, que uso insensato de medicamentos, muitas vezes, está associado a busca de soluções rápidas. Segundo o conceito de modernidade líquida proposta por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, o indivíduo se desvinculou da ideia de planejamento a longo prazo pelo prazer imediato. Analogamente, as pessoas à procura de aliviar instantaneamente os sintomas, optam por se automedicar. Porém, recorrer a meios fáceis e rápidos podem nem sempre ser a solução, já que há a possibilidade de ter efeitos colaterais inesperados e trazer consequências mais graves.

Ademais, destaca-se ausência de ações que limitem o uso inconsciente desses remédios. A concepção de liberdade expressa pelo filósofo Jean-Paul Sartre, tem como fundamento que todo ser humano é condenado a ser livre. Entende-se, portanto, que medidas que não vetem especificamente a utilização de fármacos, propicia a liberdade do uso indiscriminado dos mesmos. Fica claro, então, que a carência de regulamentação a respei

to da problemática contribui para a persistência dessa atividade nociva. Portanto, urge que atitudes sejam tomadas para resolver o impasse. Para isso, o Ministério da Saúde deve dificultar o acesso imprudente de medicamentos por meio de um projeto de lei a ser entregue a Câmara dos Deputados. Nele deve constar que, para a obtenção de remédios é obrigatório a prescrição de um médico, que tem como finalidade atestar a necessidade do seu uso e diminuir a automedicação. Através dessas ações concretas, a narrativa do filme “Boa Sorte” será somente figurada nas telas.