Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 03/11/2021
Na Idade Média, o acesso a médicos era dificultoso e custoso, uma vez que a medicina não era avançada e não havia muitos profissionais disponíveis, então era comum ocorrer a automedicação, especiamente com “receitas caseiras”, pois era uma das únicas formas de tratamento. Hodiernamente, vive-se o impasse da automedicação, já que essa, se realizada adequadamente, pode colaborar para a redução da espera em hospitais, porém, pode causar malefícios e levar até ao óbito.
Em primeiro lugar, é importante aclarar que a ingestão de alguns tipos de medicamentos por conta própria pode ser benéfica ao paciente e ao sistema de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a automedicação responsável, para casos como dor de cabeça leve ou cólicas menstruais, contribui para o aplacamento das dores e dos sintomas, bem como para a redução das filas de espera em hospitais e unidades básicas de saúde. Além de evitar as idas a locais de atendimento, também colabora para que pessoas com problemas de saúde mínimos não entrem em contato com pacientes com doenças graves e contagiosas, o que evita surtos de enfermidade como viroses. Logo, a automedicação responsável para casos pontuais é proveitosa.
Entretanto, existe a perspectiva capitalista sobre a temática que pode levar a malefíicos. A indústria farmacêutia é uma das que mais crescem no mundo e sem supervisão ao que tange a comercialização e propagandas, o que causa preocupação a OMS. Tal organização tem em seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável melhorar a saúde e bem-estar da população em nível global, fato que dialoga com os riscos da automedicação, essa que é influenciada por propagandas televisivas que recomendam medicamentos como “soluções simples” sem a total perspectiva clínica. Assim sendo, o interesse pelo lucro e crescimento no mundo empresarial, leva essas companhias a promocionar campanhas que podem, potencialmente, prejudicar e até causar óbtios de pessoas desinformadas sobre os perigos de tais práticas, o que prejudica os esforços da OMS para cumprir seus objetivos.
Em suma, mesmo com as possíveis vantagens da automedicação, essa deve ser feita de maneira responsável e se possível dispensada. Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceira com o Ministério das Comunicações e o Ministério da Educação, crie campanhas televisivas, por meio de acordos entre empresas privadas e agentes da saúde, tal como a inclusão do tópico “os perigos da automedicação” nas aulas de ciências e biologia mediante a atualização da base curricular, afim de que seja abordado em quais casos e como tal prática deve ser realizda, da mesma forma que a importância da busca por ajuda profissional, para que haja o esclarecimento de dúvidas e que ocorra de forma consciente. Só assim será possível reduzir os perigos que cercam a problemática.