Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 05/11/2021

“Se os sintomas persistirem, um médico deverá ser consultado" é a frase que aparece ao final das propagandas de medicamento, que, em sua maioria, falam apenas dos benefícios da automedicação rápida em sintomas leves. De maneira paralela a isso, tem-se a automedicação em debate no século XXI. Cabendo, assim, estabelecer que a volatilidade das informações, naturalizada na sociedade de consumo, e a medicalização da vida, como facilitador nas instituições sociais, são fatores que contribuem para o enraizamento dessa questão.

Nessa perspectiva, é indubitável que as informações científicas farmaceutica é quase inerentes à população leiga, restringindo esse conhecimento apenas aos trabalhadores especializados. Dessa forma, a crescente indústria farmacêutica tornou comum comprar remédios sem prescrição especializadas gerando um quadro confuso. Solubilizando essa realidade, o sociólogo Bauman desenvolveu a modernidade líquida, defendendo que uma sociedade volátil busca soluções rasas para problemas profundos, assim, em uma realidade na qual a solução pode estar em uma pílula pequena suas consequências tornam-se inversas a seu tamanho. De maneira contrária à sua função, automedicação não é apoiada pelo conselho federal de farmácia, pois se a população não tem formação especializada para se diagnosticar também não deveria ter para manipular medicamentos. Nesse sentido, faz-se presente a necessidade de informar a população.

Outrossim, é notória a medicalização da vida está presente em todos os âmbitos sociais. Sendo assim, o documentário “take your pills” traz a realidade acadêmica na qual estudantes universitários tomam estimulantes para ter foco e atingir a excelência acadêmica que lhes é exigida, mesmo sendo 100% saudáveis. Dessa forma, se observa a realidade do pensamento do sociólogo Émile Durkheim, no qual ele explicita que os indivíduos tendem a realizar aquilo que lhes confere maior destaque dentro da instituição social que ele está inserido, sem questionar sua própria opinião, sendo coercitivo a realidade de capital médico que se tem. Em vista dos fatos supracitados é evidente que a automedicação é um perigo que foi banalizado constituindo um cenário preocupante para a saúde brasileira.

Dessarte, faz-se necessária a adoção de medidas que venham ampliar o debate da automedicação na sociedade do século XXI. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Saúde, dentro do Sistema Único de Saúde, fazer com que as pessoas se informem acerca do perigo de tomarem remédios com a ausência médica, por meio de palestras públicas e cartazes informativos nas farmácias, a fim de que conscientizar a população, de forma que se promova uma sociedade mais preocupada com efeitos a longo prazo. Somente assim, poderá se construir uma realidade medicamental segura e saudável.