Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/11/2021

Na obra literária de J. K. Rowling “Harry Potter e a Câmara Secreta”, a personagem Hermione em uma tentativa de salvar os alunos de Hogwarts do Basilisco, prepara sozinha e ingere uma poção mágica secretamente, que, de forma acidental, acaba transformando-a em metade gato. Em analogia com a realidade, observa-se que a ingestão de substâncias - remédios - sem o auxílio de um profissional adequado é uma prática recorrente na sociedade brasileira, tanto pela falta de informação quanto pela desigualdade social.

Diante desse cenário, é notória a ignorância da população da atualidade. Nesse horizonte, após a ascensão da internet no século XXI há a facilidade de acessar qualquer informação a todo momento. Todavia, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, “excesso de informação não significa sabedoria”. Deste modo, o indivíduo engana-se ao automedicar apenas com informações virtuais, sem a prescrição de um médico, tornando-se refém da maior ignorância descrita por Sócrates. Sendo assim, a falta de conhecimento ocasiona a ingestão de drogas que alterarão o organismo de maneira indesejada, ferindo a saúde e a dignidade humana.

Ademais, a discrepância social se torna outro obstáculo. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Alemão Karl Marx, “a história de todas sociedades até hoje existentes é a história da luta de classes”. Seguinto esse pensamento, nota-se que a distância e dificuldade de acesso a médicos e consultórios pela população periférica acarreta na ingestão da substância sem o auxílio de profissionais. Dessa forma, pessoas marginalizadas que passariam meses esperando para poderem consultar-se pelo Sistema Único de Saúde, recorrem a outros meios de informação e automedicam-se, tornando a saúde um privilégio.

Urge, portanto, a necessidade de intervenções para minimizar tais empecilhos. Logo, cabe ao Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde, a melhor administração do dinheiro público para construção de UBSs, Unidade Básica de Saúde, de maneira proporcional à população em todas as comunidades e periferias das cidades, para que o acesso a profissionais de saúde torne-se democrático, com intuito de diminuir a desinformação da população. Além de rodas de conversa nas escolas, para conscientização dos alunos. Por conseguinte, espera-se que, futuramente, a sociedade verde-amarela encontre-se livre da cultura de automedicação, com a saúde distribuída de maneira justa e igualitária.