Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 16/11/2021

Venvanse, Ritalina e Conserta. Todas estas drogas são exemplos de fármacos amplamente utilizados, muitas vezes, de forma inapropriada, para elevar o desempenho cognitivo. Não obstante deste cenário, hodiernamente, no Brasil, nota-se o acentuado aumento na prática de automedicação. Este panorama alarmante é resultado não só da facilidade de obter estes medicamentos, como também da banalização do uso dessas substâncias.

Nessa perspectiva, é imperativo destacar as consequências da facilidade no acesso à drogas  farmacêuticas em território brasileiro. Segundo Charles Darwin, notório biólogo britânico, as espécies se adaptam às adversidades do meio em que habitam. Dessa feita, a utilização, cada vez maior, de medicamentos, como antibióticos, propiciou o desenvolvimento de resistência dos agentes infecciosos à essas drogas. A par disso, depreende-se como a negligência e o abuso, aliados à fácil obtenção, destas substâncias podem ser altamente deletérios à sociedade, uma vez que, em consonância com os ideais do pensador europeu, influenciam no surgimento de patógenos mais poderosos.

Outrossim, é oportuno comentar o quão banal se tornou o abuso de fármacos e como isso influencia a comunidade atual. Como exemplo, é lícito citar a teoria da Indústria Cultural, de Theodor Adorno e Horkheimer, notórios filósofos alemães. Segundo estes intelectuais, a mídia e as redes de televisão exibem seu conteúdo de entretenimento de forma que ocorra a banalização da maldade, ou seja, a normalização de comportamentos prejudiciais, tais como o abuso de substâncias. Dessa forma, nota-se como a população é, fortemente, influenciada pelos meios midiáticos em geral no que concerne à automedicação, visto que, parafraseando Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural exerce forte influência nas pessoas quando se trata da massificação de hábitos negativos. Mostra-se, assim, o complexo processo de automedicação no Brasil.

Portanto, em vista dos fatos supracitados, é necessário que o Estado atue para que ocorra a amenização desta problemática. Logo, cabe ao governo, por meio da elaboração de legislações mais rígidas, regular de forma severa a venda de remédios em território brasileiro, em especial os antibióticos, com o intuito de diminuir a possibilidade de automedicação e, por conseguinte, o aparecimento de novos agentes patogênicos. Paralelamente, é imprescindível que o Ministério da Saúde, por intermédio de umas associação com a ANVISA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, divulgue, especialmente nas redes sociais, os males e efeitos colaterais que a utilização de medicamentos por conta própria desencadeia, a fim de que, futuramente, drogas como Venvanse, Conserta e Ritalina deixem de ser usadas indiscriminadamente.