Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 17/11/2021
De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 20 mil pessoas morrem por ano no Brasil por causa da automedicação. Esse dado alarmante mostra que a automedicação, cujo objetivo é um benefício à saúde, pode não ser tão vantajosa quanto deveria ser. Essa prática ocorre principalmente pelo desconhecimento dos indivíduos e, também, pela falta de opção econômica.
Primeiramente, o brasileiro, quando doente, possui a tendência de não buscar um médico. Isso se dá tanto pela falta de estrutura e demora no setor público, quanto pela impossibilidade econômica de se ir ao setor particular, não compensando a ida em casos menores, o que muitas vezes leva a prática mais acessível da automedicação. O problema, porém, se dá quando essa prática é feita sem consciência ou, pelo costume, com falta de atenção, o que ocorre pois o indivíduo não é informado dos riscos da automedicação. Segundo a clínica geral Ligia Raquel Malheiro de Brito “a pessoa que utiliza um remédio sem prescrição médica desconhece os riscos farmacológicos especiais e as possíveis interações com outras substâncias”. Tais riscos incluem o agravamento dos sintomas, o surgimento de alergias, a intoxicação, o fortalecimento do microrganismo ou até ocultamento de sintomas de uma doença mais grave, podendo levar à morte.
Ademais, pela falta de poder econômico, a medicação sem receita médica pode ser a única opção para alguns. Isso leva a compra de um medicamento qualquer nas farmácias, que pode não ser ideal para a situação, ou a utilização das sobras de um remédio de uso anterior. Esse uso de sobras não deveria acontecer, já que, por lei, os medicamentos deveriam ser vendidos por unidade de uso, para o gasto apenas do necessário, o que não é vantajoso para as grandes corporações, as quais teriam que adaptar seu processo anterior para vendas mais individuais, diminuindo seu lucro.
Portanto, é vista a grande necessidade de controlar a automedicação presente no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde, órgão que rege a administração da saúde no país, deve reforçar as leis em prática para o benefício do povo, por meio da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que fiscalizará o cumprimento e cobrará mudanças, até um tempo determinado, da indústria farmacêutica a fim de reduzir práticas que possibilitam a automedicação. Além disso, a ANVISA deverá cobrar que a venda de medicamentos sem prescrição seja feita de modo que o farmacêutico informe ao consumidor todos os riscos de uma medicação imprudente, reforçando os avisos da bula, muitas vezes não lida, e assim conscientizando a população.