Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 20/11/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, que reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, então, valorizar também a questão da automedicação no século XXI, já que grande parcela social não enxerga tal entrave com a devida relevância. Assim, vale ressaltar que à mídia e a negligência escolar são fatores que devem ser combatidos.

Nessa perspectiva, pode-se destacar a omissão da mídia e sua relação com a problemática. Segundo Adorno, a mídia cria certos estereótipos que tiram a liberdade de pensamento dos espectadores, mostrando coisas que não condiz com a realidade. Dessa maneira, existe uma grande falta de informações acerca dos perigos da automedicação, principalmente por parte da mídia que, embora seja um instrumento de forte influência e comunicação, não promove debates sobre esses perigos. Nesse sentido, as pessoas ficam alienadas diante dessa questão, o que ocasiona o uso incorreto de medicamentos potencialmente prejudiciais para a saúde humana.

Ademais, é lícito postular a lacuna educacional como impulsionador desse revés. De acordo com Vera Maria Candau, o sistema educacional está preso aos moldes do século XIX e não oferece medidas significativas para as inquietudes hodiernas. Sob esse viés, as escolas têm uma postura conteudista e só se importam com a formação na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) dos alunos, por conseguinte, não é abordado a questão dos perigos da automedicação. Desse modo, as instituições de ensino formam pessoas que não têm ciência do quanto pode ser prejudicial o ato de consumir medicamentos sem prescrição médica.

Portanto, faz-se necessário que o Estado - principal órgão do poder público - realize alterações na BNCC, adicionando novas disciplinas da área medicinal, por meio de verbas governamentais, com o fito de formar cidadãos com conhecimento além do acadêmico. Outrossim, cabe a mídia promover o debate sobre as consequêcias da automedicação, por intermédio de conferências e reuniões com a população em plataformas de comunicação. Dessa forma, com tais medidas, espera-se que as questões da automedicação seja mitigada e a teologia do traste posta em prática.