Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 20/02/2022
Remédio: a droga do século
Dipirona para dor de cabeça. Omeprazol para dor de estômago. Clonazepam para se acalmar. Amoxicilina para combater infecções de garganta. Esses são apenas um dos remédios utilizados pelos brasileiros sem prescrição médica. Mas, por que a automedicação é tão comum no Brasil? Talvez por fatores culturais e por dificuldades de acesso aos serviços de saúde. De qualquer maneira, usar medicamentos sem indicação médica pode ser perigoso e esse hábito deve ser combatido.
Primeiramente, devemos analisar o fator cultural, onde chás medicinais tem suas receitas passadas de geração para geração, assim como indicações de fármacos já utilizados - uma pessoa usa por ter sido prescrita por um médico, obtém o resultado desejado e indica para outra. Esses hábitos podem ser compreendidos quando observamos o sucateamento dos serviços de saúde pública, com hospitais lotados, falta de médicos ou mesmo desinteresse por parte desses, e pelos altos custos do serviço privado, sendo planos de saúde com preços elevados ou mesmo valores cobrados por clínicas e hospitais.
Em segundo lugar, deve-se entender os males causados por essa prática. Por exemplo, o uso indiscriminado de medicamentos sem eficácia científica comprovada durante a pandemia de covid-19 em 2020 teve aumento e, segundo pesquisa da Fiocruz de 2021, tem sido apontado como origem de diversos efeitos colaterais como hepatite medicamentosa e resistência de patógenos aos remédios utilizados. Certamente, esses e outros casos de automedicação devem ser combatidos, mas, como o fazer quando pessoas em cargos públicos importantes são os responsáveis por essas indicações?
Por fim, para um efetivo combate a automedicação, deve haver esforço por parte do Ministério da Saúde, com a criação de campanhas publicitárias informando sobre os riscos e consequências dessa prática, além de investir em melhorias no SUS, para que toda a população tenha acesso gratuito e de qualidade, passando assim a procurar o atendimento médico com mais frequência, reduzindo os índices de automedicação, pois não há maior combate do que igualdade e informação.