Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 06/03/2022
Na série “Doctor House”, o personagem Gregory House é dependente de analgésicos, devido ao seu consumo inadequado dessa substância. De forma análoga ao comportamento de House, uma grande parcela da população mundial automedica-se, ação que gera riscos para a saúde dos indivíduos, uma vez que não conta com um acompanhamento médico no tratamento. Portanto, é necessário combater a propagação desse hábito nas diversas instituições e nas mídias sociais, a fim de suprimir o problema em questão.
Faz-se preciso, diante desse panorama, salientar o modo como o costume familiar e a difusão de hábitos atua como uma das principais causas do agravamento da automedicação na sociedade. Acerca disso, o filósofo françês Pierre Bourdieu defende na Teoria do Habitus que os indivíduos são influenciados em relação ao seu conhecimento de mundo, sobretudo no que tange aos seus comportamentos. Destarte, há a continuação de uma prática nociva que pode gerar consequências tais como o vício e a overdose, em razão das poucas políticas públicas conscientizadoras.
Além disso, as propagandas de medicamentos nas mídias são catalizadoras da problemática, uma vez que normalizam e incentivam essa prática, sem dar destaque para os efeitos colaterias de tais produtos. Exemplo disso foram as campanhas de estímulo ao uso da hidroxicloroquina como tratamento da COVID-19 disseminadas por representantes públicos, que resultaram na inefetiva recuperação da doença além efeitos nocivos em vários indivíduos. Logo, verifica-se a importância do controle sobre as propagandas para minimizar o revés.
Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde promover a conscientização da população sobre os perigos da automedicação, por intermédio de projetos educadores, como aulas online ou campanhas nas instituições, com o intuito de quebrar o ciclo de propagação dos hábitos de automedicação. Ademais, o Governo Federal deve diminuir as propagandas pró-automedicação, por meio de políticas públicas que estabeleçam regras mais rígidas quanto à divulgação de produtos medicinais nas mídias, para, assim, evitar mais casos como o de Gregory House.