Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 31/03/2022

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a grande quantidade de pessoas que se automedicam por falta de informação ou muitas vezes pela dificuldade de acesso a uma consulta médica, dificultando, desse modo, a universalização desse direito tão importante.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a automedicação. Nesse sentido, a falta de conhecimento faz com que muitos indivíduos todos os dias utilizem rémedios sem prescrição médica, com o objetivo de um alivio imediato sem ter a noção das consequências graves que isso pode gerar. Essa conjura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a facilidade do acesso a medicamentos e a difiicultade de conseguir consultas médicas como impulsionardor da submissão ao tratamento sem auxilio de um profissional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 150 milhões de pessoas dependem do SUS, mas a espera do paciente é por tempo superior a 100 dias para consultas e exames. Diante de tal exposto, os individuos optam pela praticidade do que pela sua própria segurança ao ingerirem medicamenentos sem auxílio de um farmacêutico ou médico. Logo, é inadimissivel que esse cenário continue a perdurar.

Despreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo, por intermédio de redes socias e investimentos na saúde pública, informe a população sobre a automedicação e facilite o acesso a consultas médicas a fim de que cada vez menos pessoas se prejudiquem com esse probelema. Assim se consolidará uma sociedade mais informada e saudável, em que o estado cumpre corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.