Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/05/2022

Comprimido nosso de cada dia.

Cultura é um conjunto de conhecimentos, leis e hábitos de uma população. A brasileira, além da alegria e samba, também é muito relacionada ao consumo e ao imediatismo. Uma de suas leis está no artigo 196 da constituição federal, que concede ao cidadão o direito à saúde pública. Da mesma maneira, cada cidadão tem o direito de liberdade de escolha, essa liberdade de decisões defendida por Aristóteles é capaz de formar hábitos, esses, somados ao consumismo, dão forma a um problema de saúde pública, que é a automedicação.

Em primeiro lugar, automedicar-se é uma prática contemporânea. Essa prática é um reflexo das publicidades de medicamentos, que, segundo o Datafolha, divulgam a solução de um problema de maneira rápida e eficiente, contudo, omitem dados que podem prejudicar a saúde do consumidor. Como consequência, a compra torna-se um hábito, como também, a longo prazo gera a compra compulsória, ademais aos possíveis problemas de saúde, que nesse ponto já é uma questão de saúde pública.

Por outro lado, a conscientização não gera mudanças efetivas. Segundo o mesmo Datafolha, o brasileiro insiste no erro. Esse, é um reflexo cultural para soluções imediatas, analogamente, a lei da inércia descreve que um corpo tende a continuar em movimento, a menos que algo o impeça disso. De fato, o cidadão contemporâneo tem acesso, mas não é capaz de desenvolver o bom senso de moderação. De tal forma que, cabe ao Estado atuar como moderador para o bem estar da população.

Em suma, o hábito do consumo também se reflete sobre os medicamentos, a qual necessita de moderação. Isso pode ser feito através de um programa integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), detalhando junto ao histórico de saúde, o consumo cadastrado ao CPF. Assim, o Ministério da Saúde pode limitar a compra e encaminhar ao tratamento, cidadãos que necessitam de ajuda. Dessa forma, esse controle evita gastos públicos e pessoais, possibilita o uso dos dados para medidas preventivas e pode limitar os efeitos das publicidades que visam somente o lucro.