Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 02/06/2022
“Essa fila tá um caso sério, já tem doente desistindo de ser atendido”. Esse trecho da música “Sem Saúde”, de Gabriel, O Pensador, faz alusão a realidade dos hospitais brasileiros. Diante desse cenário, indivíduos com a saúde afetada optam por se automedicarem, panorama perigoso que precisa ser debatido com base em aspectos governamentais e sociais.
Em primeiro plano, evidencia-se um inconsistente paradoxo na conjuntura nacional: enquanto na teoria o acesso à saúde é garantido no artigo 196 da Constituição Federal, na prática esse direito não é assegurado. Nesse sentido, a desorganização e ineficiência dos hospitais públicos implica na automedicação da população doente, sem conhecimento da prescrição correta. Por conseguinte, a falha estatal corrobora com o risco de resistência bacteriana e interações medicamentosas, culminando em gastos públicos com tratamentos mais complexos e aumento da mortalidade.
Em segundo plano, é importante mencionar o artigo “Exaustos-e-correndo-e-dopados”, da jornalista Eliane Brum, que aponta o capitalismo como óbice. Isso ocorre pois a superprodutividade induz a automedicação, seja com neuroestimulantes para aumentar a produtividade ou remédios para tratar doenças, já que não há tempo para ir ao hospital. O resultado disso é o adoecimento psíquico da população com drogas que possuem potencial viciante e a evolução de doenças simples que tem seus sintomas mascarados.
Infere-se, portanto, que o uso de fármacos sem indicação médica corrobora para o adoecimento geral e a sobrecarga do sistema de saúde público. Logo, o Ministério da Saúde deverá aumentar a eficiência dos hospitais, por meio de um planejamento para aumentar o número de atendimentos emergenciais. Essa ação pode ser feita com a ampliação dos ambulatórios e profissionais, a fim de diminuir as filas e o tempo de espera e estimular os doentes a procurarem ajuda médica. Além disso, deverão ocorrer palestras sobre os riscos da automedicação para toda a população brasileira. Assim, a problemática mostrada por Gabriel, O Pensador não será mais condizente com a realidade.