Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 16/08/2022
O documentário “Take your pills”, da Netflix, retrata as consequências do consumo exagerado de medicamentos entre jovens estadunidenses, os quais buscam melhor performance na escola, universidades e empregos sem se atentar para as gravidades dessa prática. Análogo a isso, a automedicação no Brasil é comum e gera problemas não apenas para o indivíduo mas para as esferas sociais, políticas e sanitárias do país. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
Nesse viés, vale ressaltar a elitização da saúde no Brasil, durante o século XX, como o início do hábito cultural de cura, já que as camadas mais baixas não tinham acesso à serviços médicos e eram obrigadas a se tratar com métodos naturais, remédios caseiros e medicamentos sem receita. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, 77% dos brasileiros praticam a automedicação, o que pode trazer intoxicações, complicações de doenças e sequelas para os pacientes. Assim, verifica-se que, ainda que haja atendimento médico público e gratuito na atualidade, as pessoas continuam com essa prática, pois o sistema de saúde ainda conta com uma longa espera, maus serviços e ausência de estruturas.
Outrossim, o acesso à internet facilita o auto-diagnóstico e a busca por medicamentos por conta própria. Segundo o escritor Byu Han, na obra “Sociedade do cansaço”, os tempos pós-modernos não permitem a ideia de adoecimento ou de descanço, assim, quando há qualquer sinal de doença, as pessoas procuram informações rápidas nas redes, ignorando a opinião de um profissional. Logo, é inaceitável que os sites que oferecem informações sobre medicamentos e doenças continuem imprudentes em não alertar os riscos e efeitos da auto-medicação.
Portanto, Estados e Municípios devem mudar a realidade da auto-medicação no Brasil. Desse modo, o Tribunal de contas da União deve destinar recursos para que o Ministério da Saúde lance campanhas que fiscalizem drogarias e farmácias, buscando evitar a venda ilegal ou excessiva de remédios. Além disso, as prefeituras locais, por meio de postagens em redes sociais, devem divulgar canais de denúncia aos sites imprudentes e conscientizar a população sobre o tema. Posto isso, o Brasil será melhor.