Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/08/2022

Na série ‘‘Euphoria’’, a personagem Rue é usuária de drogas e constantemente consome remédios sem dosagem e prescrição médica como mecanismo de escape de seus transtornos. Similarmente, na atual conjuntura brasileira, boa parte da população faz o uso de medicamentos sem receita e de maneira irregular. Dessa forma, dois problemas principais que levam as pessoas a se automedicar são as dificuldades de garantir consultas médicas no Brasil, e a ausência de conscientização sobre o assunto, o que pode trazer problemas irreversíveis para os usuários.

Em primeiro plano, cabe analisar como é difícil obter atendimento médico público em diversas regiões e de que modo isso alimenta acomodação acerca de doenças que consequentemente levam a automedicação. De acordo com o filósofo Jiddu Krishnamurti, ‘‘Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente”. Logo, percebe-se que devido a falta de facilidade de ser atendido em centros de saúde, grande parte da população criou um acomodamento sobre seu bem-estar, a qual ignoram o agravamento de sintomas das doenças e da situação e começam a se automedicar. Em consequência do fato de não obter uma consulta rápida e de qualidade nos postos de saúde, tomar remédios sem orientação e dosagem correta para mascarar os sintomas e dores na fase inicial da doença se torna muito mais fácil e acessível para a população.

Além disso, tal problemática soma-se com a carência de programas e propagandas educativas sobre os perigos da automedicação, o que contribui para seu aumento. Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), calcula-se que 18% das mortes por envenenamento no Brasil podem ser atribuídas à automedicação. Destarte, é de extrema importância trazer o debate sobre tal assunto para que ocorra a conscientização dos cidadãos sobre o uso incontrolado de remédios. Entretanto, apesar de haver milhares de propagandas promovendo venda de medicamentos, não há a discussão e visibilidade sobre os problemas causados por seu consumo inapropriado, como agravamentos de saúde, ineficácia, vício e diversos outros que podem prejudicar o indivíduo e o tornar mais vulnerável a riscos de enfermidades.

Portanto, urge que o Ministério da Saúde conceda o acesso a consultas médicas de qualidade, com rápidos e melhores atendimentos, a partir de investimentos em postos de saúde públicos. Além disso, é preciso que o mesmo, em conjunto com a Mídia, traga visibilidade acerca do assunto, por meio de programas e propagandas informativas sobre os riscos da automedicação, como exemplo, as quais digam os problemas do uso por indicação e dose própria, como evita-los e sempre aconselhar buscar orientação médica. Dessa forma, diminuindo a automedicação no cenário atual.