Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 01/09/2022
Em “Take your Pills”, documentário estadunidense, é retratado o consumo exacerbado de medicamentos por jovens e adultos no século XXI. Paralelo a isso, é notório que o aumento da automedicação também é recorrente no território brasileiro. Isso posto, cabe destacar a displicência estatal e a alienação social como agravantes dessa problemática.
Nesse sentido, é fato que o governo autoriza propagandas medicamentosas na mídia. Sob essa ótica, cabe aludir à obra de Gilberto Dimenstein, “O Cidadão de Papel”, em que o autor disserta acerca de sociedades que falham em garantir aos cidadãos os seus direitos normativos. Diante disso, vale ressaltar que todos os brasileiros devem ter acesso à saúde segundo a Carta Magna. Entretanto, o incentivo à automedicação é elevado mediante os inúmeros comerciais de remédios, o que afeta diretamente o bem-estar do cidadão. Dessa forma, torna-se clara a necessidade de cessar a propagação de anúncios inconsequentes.
Ademais, é nítida a atual condição de alienação de grande parte da população brasileira. Sob esse prisma, a filósofa alemã Hannah Arendt disserta acerca do fenômeno de massificação social - caracterizado pela falta de discernimento individual e uma consequente homogeneização da sociedade- em seu conceito de “Banalidade do Mal”. Logo, a comunidade aliena-se mediante problemas sofridos por outrem, como o consumo de medicamentos sem prescrição médica. Desse modo, a parcela da população que carece de informações acerca dos riscos da automedicação torna-se invisível.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para garantir a democratização do pleno acesso ao bem-estar. Para tanto, cumpre ao Estado - órgão de maior importância nacional- fomentar a criação de leis, por intermédio do Poder Legislativo, com o intuito de proibir os comerciais que incentivem a ingestão descontrolada de remédios. Além disso, compete à mídia - responsável pela conscientização- criar campanhas informativas acerca dos malefícios da automedicação, por meio dos âmbitos digitais, como as redes sociais, com a finalidade de sanar a desinformação. Assim, viver-se-á em um país que difere da obra de Dimenstein.