Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/09/2022
O artigo 196 da Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê o acesso à saúde a todos os cidadãos. A realidade, no Brasil, entretanto, difere da idealizada pela Carta Magna, uma vez que a lentidão do sistema público de saúde desestimula a busca de seus serviços, o que contribui para o hábito de automedi-cação entre os pacientes e arrica a saúde pública. É cabível, portanto, analisar tais aspectos e elaborar uma medida que solucione a mazela no país.
Inicialmente, é necessário apontar o sucateamento da rede pública de atendi-mento aos pacientes como um dos responsáveis pela redução de sua busca. Para tal, relaciona-se o liberalismo característico do governo de Juscelino Kubitschek, o qual favoreceu, em nome do desenvolvimento econômico nacional, o setor privado de saúde em detrimento do setor público, com poucos investimentos para o segun-do. Assim, como reflexo desse período, existe intensa precarização dessa área, com baixa infraestrutura e capacidade, o que aumenta o tempo de espera nas filas e torna a automedicação uma opção rápida e atrativa para os pacientes.
Por conseguinte, o hábito pode mascarar doenças e ocultar o avanço para qua-dros clínicos mais graves, o que causa danos individuais e coletivos. De fato, o uso de medicamentos para o tratamento dos sintomas, sem considerar sua causa, acaba por dificultar a percepção do avanço da doença para casos mais severos e que demandam tratamentos mais custosos. Nesse contexto, pacientes em estados mais graves passam a ocupar mais leitos e sobrecarregar o sistema público de saúde, o que aumenta as despesas com seu tratamento e arrisca, consequente-mente, o bem-estar da população como um todo.
Sob essa perspectiva, cabe ao governo federal tomar iniciativas para reverter o quadro no país. Para isso, ele pode atuar por meio do Ministério da Saúde e dire-cionar verbas para a construção de mais unidades de pronto atendimento, além de veicular campanhas que elucidem sobre o risco da automedicação, como propa-gandas televisivas. Isso, com a finalidade de não apenas expor os perigos desse hábito, como também oferecer meios para que ele seja erradicado. Dessa maneira, será possível atenuar os efeitos da automedicação no século XXI.