Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 30/09/2022

“Um bom chá pra curar essa azia, todas as ciências de baixa tecnologia”. A música “O que sobrou do céu” retrata o hábito de automedicação do Brasileiro, bem como o uso de conhecimentos populares no combate a mazelas físicas. Tal costume tem aumentado com o advento da internet, usada para averiguar sintomas e tratamen-tos. Entretanto, tal prática é perigosa e, dentre seus perigos estão o diagnóstico e-quivocado de doenças e a descrença na ciência pela população, acarretando graves problemas de saúde pública.

Sob essa perspectiva, é válido citar que, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), cerca de 30% dos brasileiros vivem em situação de pobreza. Esse dado sig-nifica que quase um terço da população depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), que sofre com o sucateamento oriundo dos constantes cortes or-çamentários. Dessa maneira, a população - que não consegue atendimento médico - se vê obrigada a recorrer à internet por meio de pesquisas dos sinto-mas o que gera muitas vezes, diagnósticos equivocados. Dessa forma, o tratamen-to correto não é realizado, colocando em risco a saúde ou mesmo a vida.

Comitantemente, a substituição de médicos pelas pesquisas virtuais gera afasta-mento da população da comunidade médica e da ciência. Isso se dá devido ao grande número de informações falsas, como as disseminada por grupos antivaci-nas e demais parcelas negacionistas da população. As consequências disso podem ser vistas no ressurgimento de enfermidades consideradas erradicadas graças à vacinação, bem como a disseminação sem controle de doenças infectocontagiosas, como ocorrido com a Covid-19. Ou seja, a rejeição a ciência é fator capaz de gerar caos na saúde pública, aumentando o número de hospitalizados e as taxas de mortalidade na população.

Em síntese, essa problemática urge combate. Para isso, é imperioso que o Governo Federal, por meio de projeto de lei orçamentária destine verbas ao Ministério da Saúde visando a ampliação do acesso à saúde pública, com a reforma e construção de hospitais e unidades de pronto atendimento, assim como na contratação de profissionais da saúde. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve ser responsável por impor regras mais rígidas contra notícias falsas.