Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 04/11/2022
A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma civilização perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos. Contudo, a realidade brasileira difere desse cenário fictício, uma vez que o debate sobre a automedicação no século XXI apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse quadro antagônico é fruto de questões de cunho governamental e social. Nesse sentido, urge a análise dos entraves da problemática.
Precipuamente, é indubitável que a ineficiência estatal é causa direta do óbice. Conforme o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da nação. Entretanto, no que concerne a ofertar o acesso à prestações de atendimento de qualidade, o poder público falha, haja vista que a falta de obtenção à serviços médicos, bem como a demora em ser atendido, corroboram para que o ato de ingerir medicamentos sem prescrição médica seja hábito comum a mais de 70% dos brasileiros de acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia. Nessa perspectiva, é imperiosa a reformulação da postura política frente ao imbróglio.
Outrossim, é válido salientar que a desinformação a respeito dos riscos da automedicação contribue para a persistência do problema. Consoante o pensador Paracelso, “A diferença entre remédio e veneno está na dose prescrita”. Tal pensamento alude aos perigos da medicação por conta própria, exemplificados pela perda de eficiência de antibióticos, alergias e até a morte. Desse modo, é fulcral a mudança da conduta coletiva perante o assunto em discussão.
Diante do exposto, medidas são cruciais para discutir ações de enfrentamento ao consumo medicamentoso de maneira irresponsável. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da ferramentas midiáticas,formadoras de opinião popular, realizar campanhas publicitárias , com o objetivo de informar e alertar a comunidade quanto aos malefícios à integridade física de se automedicar. Posto isso, o combate a esse costume gregário será efetivo e o panorama idealizado na obra “Utopia” gradativamente alcançado.