Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/11/2022

A obra “Utopia’’, do escritor Thomas More, retrata uma sociedade padronizada, ausente de con-flitos e problemas. Contudo, a atual realidade brasileira não é condi-zente com o autor, visto que o aumento da automedicação encaminha a população à mais entraves a serem resolvidas. Diante dis-so, torna-se evidente a necessidade de uma avaliação da problemática destacada, ressaltando os seguintes pontos: o uso indiscriminado de medicamentos e a banalização -ou até mesmo disfarça- dos incentivos- deste feito.

Primeiramente, convém ressaltar que a facilidade de acesso a diversos medicamentos sem pres- crição médica é uma das principais causas que levam ao consumo irresponsável destes. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, 77% dos brasileiros se automedicam. Logo, o descuido com a saúde pessoal gera consequências desnecessárias, como a superdosagem - podendo levar a into-xicação, mascarar doenças graves e, principalmente, a resistência à fármacos. Sendo assim, é neces- sário auxílio governamental para combater essa problemática, além de maior visibilidade midiática para a conscientização.

Ademais, a incontestável necessidade humana em evitar a dor é a premissa de que o indivíduo sempre irá escolher a alternativa mais rápida e eficiente. Hodiernamente, a tecnologia do fármaco é essa opção, e, por isso, a indústria farmacêutica e o setor publicitário se benecifiam ao banalizar a ideia de estoques de remédios e consumos sem consultas médicas, por exemplo, os analgésicos. Em suma, os agentes que deveriam facilitar a vida da sociedade, intensificam o uso indiscriminado de remédios, perpetuando e dificultando o caminho para solucioná-lo, sendo, então, preciso intervir nessa dinâmica.

É evidente, portanto, a urgência para encaminhar as pessoas para um consumo responsável de fármacos. Para isso, o Estado deve diminuir o excesso de remédios à disposição da população, conscientizar as pessoas e, também, impulsionar a telemedicina, por meio do aumento de taxas para empresas farmacêuticas, investimento em infraestrutura para o novo modelo de consulta e, em parceria com a mídia, organizar mais debates e propagandas, visando conscientizar e minimizar os impactos causados pela automedicaçao. E, só então, a atual realidade começará a caminhar para aquela mais próxima retratada em “Utopia”.