Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/11/2022
O surgimento de novas tecnologias que se deu a partir da Revolução Industrial contribuiu para que as atividades rotineiras se tornassem mais ágeis e práticas, acelerando o ritmo da população urbana e reduzindo o tempo para a autopreservação pessoal devido a busca por uma estabilidade social e econômica. Contudo, a extensa jornada de trabalho somado a dificuldade ao acesso à saúde de qualidade, o cidadão brasileiro busca tratar suas enfermidades através da automedicação objetivando o imediatismo sem presumir as consequências.
Em primeiro lugar, a realidade econômica instável que remete a maior parte da população brasileira faz com que os cidadãos se submetam a uma extensa jornada diária. Visando a estabilidade supracitada, indivíduos buscam oportunidade de emprego independente de remuneração e condição tornando-se vulneráveis a diversas situações como risco de insalubridade, acidentes, desenvolvimento de transtornos psicológicos, entre outros, fazendo com que busquem o alívio imediato da dor através de medicações sem prescrição médica e sem atentar-se as consequências.
Em segundo lugar, a estrutura precária do Sistema Único de Saúde do Brasil contribui para o receio de enfrentar longas filas e receber um tratamento de má qualidade pela falta de recursos. Isto faz com que os brasileiros recorram a automedicação sem ter consciência dos riscos. Segundo Paracelso, um médico suíço do período renascentista “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, que pode acarretar efeitos colaterais indesejáveis, atraso no tratamento de doenças pré-existentes ou a morte.
Diante do exposto, é imprescindível que o Ministério da Saúde e o Ministério Público trabalhem em conjunto visando a conscientização da população acerca dos riscos da automedicação, promovendo palestras para a população em centros de saúde e divulgando panfletos contendo informações relevantes sobre o tema em pontos estratégicos com maior movimentação populacional, contribuindo assim para a redução da taxa de morte e intoxicação por drogas sem prescrição e fazendo-se cumprir com a Constituição Federal de 1988, que garante acesso a informação e saúde a todo cidadão brasileiro.