Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/11/2022
A Revolta da Vacina, no começo do século XX, foi um conflito que teve como cerne o confronto entre conhecimento popular e científico.Tal fato ajuda a trazer à tona a questão da automedicação no país que persiste devido à desinformação populacional e às carências estruturais no sistema de saúde. Ha,portanto, a neces-sidade de um amplo debate sobre como superar estes entraves.
A princípio, é importante ressaltar o aspecto informacional nesta questão.Nes-te viés, o filósofo Aristóteles afirmava que os erros humanos surgem da falta de in-formação.Tal premissa encaixa-se perfeitamente nesta questão, uma vez que a população busca a automedicação sem entende os efeitos nocivos que esta práti-ca pode acarretar, tais como a proliferação de bactérias resistentes,
a desregulação hormonal ou os problemas no metabolismo.A venda de antibióti-cos,nos anos 90, por exemplo acarretou na criação de bactérias resistentes como KPC. Entende-se,pois,a necessidade de propor medidas que rompam com esta lide.
Além disso, é válido salientar a responsabilidade estatal nesta questão.Neste âmbito, no ano de 1988 foi criado o Sistema Único de Saúde com o intuito de democratizar e universalizar o acesso à saúde no Brasil. Indo de encontro ao objetivo de criação deste órgão, ocorre o descompasso do Estado em assegurar direitos básicos aos cidadãos brasileiros como consultas médicas e acompanha-mentos, o que acarreta na automedicação como resposta a esta ausência recursos na área da saúde pela população brasileira. Compreende-se,destarte, que é necessário reavaliar a atuação estatal neste segmento.
Por tudo isto,faz-se necessária a intervenção civil e estatal. Neste Contexto, o Ministério da Educação deve promover, nos ambientes públicos, palestras elucidativas e atividades lúdicas administradas por médicos, que possam, mediante o discurso informativo, alertar a população a respeito dos perigos da automedica-ção, no intuito de romper com a desinformação. Com precisão análoga o Ministério da Saúde deve fazer levantamentos estatísticos e logísticos a cerca da vigente situação das instituições de saúde e propor melhorias pautadas na destinação de recursos,na criação de novas unidades e na capacitação profissional. Desta forma, este problema será, de fato, solucionado.