Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 30/05/2023
Em 1970 foi criada a expressão “medicalização”, que mais tarde foi usada pelo escritor Ivan Illich para retratar o que ele chamava de “medicalização da vida”, em que questões políticas, sociais e pessoais das mais diferentes ordens eram tratadas como doença. De forma análoga, é possivel relacionar tal premissa ao que ocorre em relação à automedicação no século XXI, sendo o estilo de vida atual, somado ao poder das indústrias farmacêuticas, os grandes vilões para a perpetuação deste imbróglio.
Sob tal prisma, é possível notar como a busca pelo máximo desempenho na sociedade atual tem sido um fator contribuinte para o aumento dos níveis de automedicação. A cobrança da sociedade, do local de trabalho e do próprio indivíduo para que se produza mais, além do excesso de positivismo diante das situações, são questões que estão levando ao adoecimento da população, como foi estudado pelo filósofo Byung-Chul Han, que em seu livro “Sociedade do Cansaço”. Como esses indivíduos não podem parar de produzir, muitas vezes acabam optando por maneiras fáceis e rápidas de tratar essas doenças, recorrendo assim ao uso de medicações sem orentação médica, que podem até mascarar o real problema, mas pelo menos não as tiram do “modo produtividade máxima”.
Somado a isso, percebendo os problemas que surgem com esse estilo de vida moderno, as grandes indústrias farmacêuticas cada vez mais criam soluções simples e quase milagrosas para todo tipo de questão, e, associado as grandes mídias, conseguem alcançar a casa de milhares de pessoas, que acabam por adquirir esses medicamentos, fazendo uso de forma inapropriada, o que pode levar ao surgimento de efeitos colaterias, intoxicações e até morte.
Portante, cabe ao Estado destinar parte do PIB ao Ministério da Saúde para o combate a automedi- -cação no Brasil. Isso deve ser feito por meio da disponibilização de verba para a criação campanhas de divulgação nacional que alertem sobre os risco do uso de medicamentos sem prescrição, com o objetivo de educar e orientar a população sobre qual a melhor forma de tratamento para as doenças mais comuns. Tal ação tem a finalidade de remediar não somente a desinformação acerca do cuidado com a própria saúde, mas também combater a “medicalização da vida”.