Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/06/2023
Na série americana ‘‘Euphoria’’, Rue é uma adolescente viciada em remédios, chegando a ficar internada em uma clínica de reabilitação. Na trama, a situação da jovem não afeta somente ela, mas seus amigos e familiares que se preocupam com a dificuldade de recuperação de Rue. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o efeito da obra, é notório que automedicação no Brasil atual prejudica drasticamente a vida dos brasileiros, consequências da influência midiática e da omissão estatal.
Com efeito, é necessário analisar que o pós-Revolução Industrial e a quantidade, cada vez maior, da influência das mídias sob a modernidade, impactou, de forma cíclica, as gerações. Sob tal óptica o pensamento do médico Luiz Couto “A intensiva propaganda e publicações é um incentivo à nociva prática da automedicação”, relaciona-se com o excerto em que, a utilização de vídeos e o receitamento de remédios, sem que haja uma conscientização, agrava a problemática e, consequentemente, o vício, como a ‘‘Rue’’, que teve sua jovialidade roubada. Dessa forma, urge a necessidade de uma reeducação das mídias, já que intensifica a problemática.
Outrossim, a falha do governo em proibir o uso indiscriminado da propagação de automedicação e o uso descontrolado de remédios, compactua com a atual conjuntura brasileira, em que há o acobertamento do poder legislativo em garantir uma sociedade segura. Segundo Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma) a automedicação compactua com mais de 20 mil mortes anuais, influenciada pela lei 9.294/96, que permite a propaganda de medicamentos e a venda livre. Diante dessa análise, fica evidente que a falta de leis agrava o assunto, uma vez que não se prontifica por uma melhoria.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com as mídias, por meio de políticas públicas, devem criar, com os jovens estudantes, projetos que visam quebrar o ciclo da automedicação e, paralelamente, acabar com as propagandas e às vendas livres, já que impulsiona o descontrole das compras de medicamentos. Tais ações devem garantir uma sociedade mais segura e dependente de produtos farmacológicos, criando um cenário em que o Estado se preocupa com a saúde da população.