Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 20/06/2023
As primeiras boticas -mais tarde nomeadas “farmácias”- sugiram ainda no período colonial, com a chegada dos jesuítas. Naquela época, os “boticários eram farma-cêuticos e, também, médicos. Em comparação aos dias atuais, a venda de medi-camentos ocorre, muitas vezes, sem a consulta médica e corrobora a automedica-ção. Desse modo, é imprescindível analisar a liberdade no acesso a medicamentos e os prejuízos à saúde advindos da normalização da medicação própria no Brasil.
Diante desse cenário, a facilidade no acesso a diversos remédios nas farmácias brasileiras contribui na liberdade e autonomia dos indivíduos para a realizar a auto-medicação. Nesse viés, de acordo com a teoria existencialista, do filósofo Jean-Paul Sartre, o ser humano está condenado a ser livre, pois é o único responsável pelas consequências suas próprias escolhas durante a vida. Com isso, a falta de controle pelo Estado, o qual é responsável pelos direitos coletivos, na venda de diversos medicamentos corrobora o aumento da automedicação e, por consequência, riscos à saúde do ser humano. Por fim, tal fato pode ser comprovado pela existência de 77% dos brasileiros que se automedicam, segundo dados do Datafolha.
Outrossim, a normalização da medicação feita a si próprio, no atual século XXI, contribui na mediocrização dos graves efeitos à saúde pública na sociedade. Nessa perspectiva, de acordo com a socióloga alemã Hannah Arendt, a banalidade do mal consiste na normalização de atos considerados errôneos no ponto de vista ético, social e biológico no meio coletivo. Com isso, a banalização da automedicação pode trazer prejuízos ao organismo humano como, por exemplo, intoxicação, resistência a um medicamento, risco de mascarar o diagnóstico de uma doença, reação alérgica e dependência química.
Portanto, medidas são necessárias para reverter esse cenário. Cabe ao Estado, com o Ministério da Saúde, promover a conscientização coletiva acerca dos malé-ficios da prática da automedicação, por meio da divulgação de propagandas, nos princípais meios de comunicação, como redes sociais, TV e rádio, os quais enfatizem a importância da prescrição médica no ato de compra de medicamentos diversos. Tudo isso afim de promover a manutenção da saúde pública no Brasil.