Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 06/07/2023
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também o debate sobre a automedicação no século XXI, já que grande parcela social não enxerga tal entrave com a devida relevância. Assim, vale ressaltar que a carência informacional e as questões culturais são fatores que devem ser combatidos.
Diante desse cenário, é lícito postular a carência informacional no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se aos dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), nos quais a automedicação é responsável por cerca de 20 mil mortes anualmente no Brasil. Ao observar, no entanto, vê-se como essa prática, de forma abusiva, pode ser prejudicial, podendo ocasionar reações alérgicas, intoxicação, até atrasar diagnósticos e comprometer tratamento de doenças. Logo, é perceptível como a falta de conhecimento pode ser maléfico à população.
Ademais, a irrefutável influência das questões culturais é um fator que dificulta a sua resolução. Sabe-se que, é uma prática comum utilizar um medicamento que a vizinha ou algum conhecido tomou. Contudo, nem sempre dá certo e nem é o correto, pois pode haver contraindicações e agravar a situação. É evidente que é necessário um direcionamento acerca dessa cultura da automedicação, por isso nota-se a necessidade de discuti-la.
Fica explícito, então, que debater sobre a automedicação é importante na atualidade. O Estado, responsável por garantir o bem estar social, deve implantar políticas públicas e campanhas que tragam informação acerca da autoprescrição de remédios, por meio de palestras, cartazes e post’s em redes sociais. Isso deve ser feito com o objetivo de amenizar essa prática de medicar-se sem prescrição. Dessa forma, espera-se impulsionar os debates sobre automedicação no século XXI.