Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 01/08/2023
No filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” a personagem Georgette tem mania de diagnosticar doenças em si mesma e passa a maior parte do tempo ingerindo remédios por conta própria. Fora da ficção, a automedicação – utilização de medicamentos sem prescrição médica – infelizmente é muito comum no Brasil do século XXI. Assim, é necessário discutir o hábito enraizado na prática e entender como ele agrava a saúde do paciente.
Primeiramente, é notória a naturalização da automedicação na sociedade. Devido aos avanços no século XXI das tecnologias de informação, e à facilidade em encontrar farmácias em detrimento de médicos no Sistema Público de Saúde, as pessoas aderiram à prática de comprar e utilizar medicamentos por conta própria, ação muito naturalizada e expandida pelo país, a qual corrobora com a Teoria do Habitus do sociólogo Pierre Bourdieu, que afirma que o indivíduo é influenciado pelos hábitos enraizados na sociedade. Dessa maneira, a população encontra na automedicação uma facilidade de tratamento e não enxerga problema nela, tendo em vista a frequência a qual executa a ação.
Ademais, a utilização de remédios sem receitas médicas ocasiona o aparecimento e a piora de doenças. Nessa perspectiva, é visível a necessidade de uma avaliação profissional para entender qual a enfermidade manifestada e se o remédio é adequado, pois, muitas vezes, além da medicação ter efeito contrário, ela pode acarretar outro tipo de mal estar, como comprovado por pesquisas do Ministério da Saúde, as quais afirmam que, nos últimos anos, mais de 60 mil pessoas deram entrada nos hospitais por doenças causadas pela automedicação. Portanto, é notório o perigo da prática para a integridade do indivíduo, e por isso o costume deve ser erradicado.
Em virtude dos fatos mencionados, o Ministério da Saúde deve promover uma Semana da Medicação Consciente, a qual será executada por meio de palestras e distribuição de cartilhas nas escolas e nas Unidades Básicas de Saúde. A ação será realizada com o intuito de conscientizar a população a respeito dos perigos da prática e, assim, evitar a propagação da atitude e os consequentes problemas advindos dela. Destarte, o revés exposto no filme poderá ser distanciado.