Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 15/09/2023

Sérgio Buarque de Holanda, sociólogo brasileiro, defende a teoria do “homem cordial”, referindo-se a relação entre os brasileiros como uma relação mais íntima porém baseada em uma falsa cordialidade, que acaba abrindo espaço para corrupção e imoralidade. Sob essa ótica, é possivel exemplificar essa teoria com questões de saúde, como o médico que faz receitas medicamentais para familiares sem qualquer análise ou o farmacêutico que vende uma medicação sem prescrição para um amigo, e consequentemente inclinando muitos indivíduos a praticarem a automedicação, que pode desencadear problemas como a depotencialização de antibióticos e o desenvolvimento do vício inconsciente.

Em primeira análise, aponta-se para o uso excessivo de antibióticos, que pode causar a sua ineficácia e o agravameno de quadros bacterianos. Para justificar este apontamento, vale reforçar a teoria da Seleção Natural de Charles Darwin, que demonstra a seleção dos indivíduos mais fortes pelo ambiente, uma vez que estes tem a capacidade de sobreviver e proliferar diante de certos fatores, enquanto outros não. Diante disso, associa-se essa formulação científica a questão da automedicação, em que o crescimento de bactérias resistentes torna maior o risco de novas epidemias bacterianas.

Em segunda análise, discute-se acerca do vício em medicamentos que pode surgir a partir do seu uso indevído e sem acompanhamento médico. Diante disso, é válido citar a série “Euphoria”, na qual se acompanha a luta da personagem contra a dependência das drogas, esta que começou na infância, quando a menina tomava escondido os remédios do pai doente, desenvolvendo a compulsão medicamental. Portanto, pontua-se que a medicação por conta própria pode acabar em consequências ainda mais graves que a própria doença tratada.

Em suma, é diante dos perigos do uso indevido de medicamentos que urge o maior controle de sua venda. Para tanto, é papel da Anvisa, orgão regulador de questões farmacêuticas públicas, fazer uma maior fiscalização das fármacias, por meio do envio mensal de fiscais que analisarão as vendas associadas a fármacos de tarjas que exigem receituário, a fim de desacentuar a prática da automedicação.