Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 01/11/2023

A Constituição de 1988 prevê o acesso à saúde de qualidade como um direito fundamental de todos os brasileiros. No entanto, quando a realidade brasileira é observada, é possível notar que, infelizmente, uma grande parcela da população não busca os profissionais de saúde quando se encontram doentes, optando pela automedicação. Nesse contexto, percebe-se um grava problema, que se enraíza na negligência governamental e no imediatismo do povo brasileiro.

Dessa forma, em primeira análise, a omissão governamental é um desafio presente na questão. Para John Locke, o principal objetivo do Estado é garantir o bem comum da sociedade, o que não é realidade no Brasil, e influencia na automedicação da população. A falta de investimento por parte do Governo faz com que aqueles que precisam utilizar a saúde pública se deparem com um sistema precário que não atende às suas necessidades. Infelizmente, é comum serem noticiados casos onde pessoas aguardaram por longos períodos para realizarem exames essenciais para seus diagnósticos. Por esse motivo, optam, muitas vezes, por não recorrerem ao sistema de saúde, e se automedicarem.

Além disso, o imediatismo da população brasileira é outro fator influenciador dessa questão. De acordo com o professor Rushkoff, as pessoas hoje concebem o tempo como um instante prolongado, onde o passado não existe e o futuro é incerto. Tal conceito torna possível entender a opção pela automedicação por parte do povo, que busca soluções rápidas, pensando no agora, para seus problemas, podendo fazer uso de remédios perigosos, causadores de dependência. Dessa forma, é preciso combater esse imediatismo instaurado na sociedade.

Portanto, para que a omissão governamental e o imediatismo não continue sendo um problema, é necessário intervir. Para isso, é preciso que o Governo, através do Ministério da Saúde, responsável por melhorias no âmbito em questão, deve destinar uma parte maior do orçamento para a saúde, por meio da compra de aparelhos de exames mais modernos, para que a população tenha seu diagnóstico mais rápido e eficiente. Paralelamente, é preciso intervir sobre a cultura imediatista da população. Dessa maneira, o objetivo da Constituição poderá ser alcançado.