Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 18/02/2024

A série estadunidense “Euphoria” acompanha a jornada da adolescente Rue, que consome diferentes medicamentos não prescritos como forma de escapar da realidade. Análogo ao quadro vivenciado no programa, na atualidade brasileira, mostra-se crescente o número de pessoas que utilizam remédios sem indicação médica, sendo gerador de várias patologias, designando um problema de saúde pública. Nesse contexto, entre as principais causas que evidenciam a problemática, pode-se citar o elevado índice de desinformação bem como o interesse de grandes farmacêuticas.

Cabe mencionar, em primeira análise, que muitas pessoas desconhecem os efeitos colaterais dos medicamentos. Conforme o filósofo grego Paracelso, todo remédio é um veneno, o que difere é a dose. Seguindo essa linha de raciocínio, indivíduos, ao sinal de quadro de mal-estar, ingerem fármacos sem a indicação de um profissional da saúde e, como consequência, podem vir a sofrer graves problemas de saúde a curto e médio prazo decorrentes do uso da medicação. Sob esse viés, é necessária a consulta com algum profissional qualificado para prescrever um medicamento, o qual leva em conta os prós e contras.

Vale ressaltar, em segunda análise, que grandes indústrias farmacêuticas usufruem da mídia para aumentar o número de vendas. Segundo George Orwell, a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa. Sob essa ótica, empresas do ramo elaboram propagandas a fim de atingir o público-alvo, promovendo produtos com propostas milagrosas. Desse modo, parte do corpo social brasileiro adquire medicamentos por conta própria, muitas vezes, ignorando a bula e sofrendo efeitos colaterais. Tal ação aumenta a chance de futuros problemas de saúde e minimizam a qualidade de vida da população.

Diante da discussão elencada, são notórios os malefícios da automedicação. Para alterar o cenário vigente, o Ministério da Saúde, associado à mídia, deve elaborar panfletos informativos sobre os efeitos colaterais de medicamentos, com o intuito de informar a população sobre os riscos de automedicar-se por conta própria. Com tais medidas, situações semelhantes a da série poderão ser evitadas.