Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 10/03/2024
Em 1948, a Organização das Nações Unidas(ONU) promulgou uma das leis mais relevantes da história recente: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante a saúde. Todavia, a automedicação irresponsável, fruto de um sistema de saúde precário, impede que a sociedade vivencie o direito assegurado pela ONU.Assim, há de se combater o silenciamento social sobre os malefícios da automedicação leviana, bem como a omissão estatal.
Primeiramente, vale destacar que a desinformação sobre o uso inadequado dos fármacos precisa ser discutida.Diante disso, Sartre,expoente filófoso francês,afirma em sua obra " O ser e o nada"que existe o conceito conhecido como “Acomodação Social"segundo o qual há alguns temas sociais banidos da discussão coletiva. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca dos malefícios da automedicação, embora seja importante para a sociedade, não recebe a devida importância. Tal negligência, traz consequências, a exemplo o mascaramento de sintomas mais graves, atrasando um diagnóstico correto ou, até mesmo, agravando o quadro clínico do paciente. Além disso, o uso excessivo de fármacos pode gerar resistência microbiana provocando o surgimento de superbactérias que afetam não só um invíduo, mas toda a população. Assim, é incoerente que o Brasil ainda conviva com o arcaico silenciamento social sobre um problema de grandes proporções.
Ademais a omissão estatal motiva indiretamento a persistência da automedicação irresponsável. Nesse aspecto, Norberto Bobbio, eminente filósofo italiano, afirma que as autoridades não devem apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que a população usufrua deles na prática. Sob a lógica de Sartre, a precariedade do sistema de saúde com longas filas de espera impede que a sociedade usufrua do direito à saúde na prática,sendo a automedicação a saída para muitos,já que o acesso a profissionais capacitados lhes são negado. Desse modo,enquanto a omissão estatal for a regra,o indivíduo continuará fadado a conviver com as sequelas da automedicação irresponsável.
É, urgente, portanto, que o Ministério da Saúde e as escolas, responsáveis pela transformação social,contribuam para alertar dos malefícios da automedicação, por meio de palestras em escolas e comunidades com a presença de profissionais de saúde semeando o conhecimento acerca das consequências do uso inadequado dos medicamentos. Outrossim, o Ministério da Saúde deve investir em tecnologia, a exempo a telemedicina, para implementar o acesso remoto á saúde e diminuir as longas filas de espera para um diagnóstico médico. Essas iniciativas terão a finalidade de minimizar os impactos da automedicação na sociedade e de garantir que a filosofia de Bobbio seja, em breve, a realidade brasildeira.