Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 07/10/2024

Chimamanda Adichie afirma que a mudança do “status quo” - o estado das coisas - é sempre penosa. Nessa perspectiva, percebe-se tal dificuldade de mudança na questão da automedicação no século XXI, que agrava sintomas de doenças, dificulta o diagnóstico médico e gera diversas mortes todos os anos. Com isso, emerge um problema sério, em virtude da omissão governamental e da má influência midiática.

Nesse cenário, ressalta-se, de início, que a negligência estatal é um fator do problema. John Locke define que “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. De fato, a legislação tem papel crucial no combate a automedicação irresponsável, visto que leis mais rígidas quanto as vendas ilegais de medicamentos, diminuiriam o número de consequências geradas pela autoprescrição e automedicação. Assim, urge que a administração pública reconheça seu papel e mude sua postura.

Ademais, outro fator agravante é a má influência midiática. Djamila Ribeiro defende que a invisibilidade é o maior obstáculo para a solução de questões. Nesse contexto, nota-se o silenciamento presente na banalização da automedicação por meio de propagandas, uma vez que esses comerciais, ao mostrarem muito rapidamente um aviso de recomendação de acompanhamento médico, acabam incentivando a automedicação de maneira não responsável. Em vista disso, ao ocultar o problema, dificulta-se a implementação de soluções e agrava as consequências.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, o governo deve combater a venda ilegal e a divulgação banalizada de propagandas de medicamentos, por meio da intensificação da legislação, a fim de reduzir as consequências da automedicação. Tal ação pode, ainda, contar com campanhas de conscientização em mídias sociais sobre os problemas que a automedicação e autoprescrição podem gerar. Dessa maneira, será possível mudar o estado das coisas, mesmo que de forma penosa, como defendeu Adichie.