Avanços e desafios do direito ao consumidor no Brasil
Enviada em 04/08/2021
Em sua obra “O Cidadão de Papel”, o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein disserta que, embora o
país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico.
Nesse sentido, essa análise configura-se no Brasil atual, quando se observa os avanços e desafios do
direito ao consumidor, seja pela ineficiência de políticas públicas, seja pela vulnerabilidade do consumi-
dor em relação às empresas. Assim sendo, cabe avaliar os fatores que favorecem tal quadro.
Inicialmente, vale ressaltar a ineficiência de políticas públicas para efetivar o cumprimento do direito
ao consumidor, visto que no Brasil, é comum observar clientes reclamarem de atendimentos mau reali-
zados, produtos com defeito, suporte inadequado, entre outros. Essa situação arbitrária é identificada na elaboração da tese da “subcidadania”, produzida pelo sociólogo Jessé Souza, que denuncia a condição de vulnerabilidade social vivida pelos mais pobres, cujos direitos são negligenciados pela falta
de ação do Estado. Fica claro, então, a realidade imprópria na qual estão inseridos muitos consumidores.
Outrossim, é importante apontar a vulnerabilidade do comprador brasileiro em relação às empresas,
pois, segundo o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, em 2018, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) recebeu mais de 800.000 reclamações envolvendo os serviços de tele-
fonia, bancos e energia elétrica. As empresas que prestam esses serviços, muitas vezes com o objetivo de diminuir custos, terceirizam o suporte ao cliente e, com isso, há uma queda na qualidade desse suporte e consequentemente a violação do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Depreende-se, portanto, o desamparo vivido pelo cidadão brasileiro e a necessidade de mudar essa condição abusiva.
Portanto, fica evidente a importância de se promover a efetiva defesa dos direitos do consumidor. Para isso, o Governo Federal, por meio de campanhas publicitárias, deve promover o amplo entendimento da população sobre o CDC, e pela parceria entre Defensoria Pública e Procon, garantir a defesa desse bem como determinar as devidas sanções legais a quem descumpri-lo. Além disso, é preciso fiscalizar os serviços de suporte ao cliente oferecidos pelas empresas, mediante a criação de um canal de atendimento para recebimento de denúncias, a fim de assegurar a assistência e o amparo, previstos em lei, ao consumidor brasileiro. Nessa perspectiva, nossas leis não ficarão só no plano teórico, tal como afirma Gilberto Dimenstein.