Caminhos e perspectivas: a participação feminina na política brasileira
Enviada em 25/11/2025
A participação feminina na política brasileira, embora crescente, ainda enfrenta desafios estruturais que limitam o acesso das mulheres aos espaços de poder. Mesmo representando mais de 50% da população, elas não ocupam proporcionalmente os cargos eletivos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições de 2022, as mulheres conquistaram apenas cerca de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados. Esse cenário confirma a análise de Simone de Beauvoir, filósofa feminista, quando afirma que a sociedade condiciona a mulher a um papel secundário, dificultando sua autonomia e representação pública.
Entre os principais obstáculos para a inclusão feminina estão a violência política de gênero e o desestímulo partidário. Muitas candidatas enfrentam ataques virtuais, descredibilização e ameaças que visam silenciá-las, configurando o que a Lei nº 14.192/2021 define como crime contra direitos políticos das mulheres. Além disso, partidos frequentemente utilizam a cota mínima de 30% de candidaturas femininas apenas de forma simbólica, colocando “candidatas laranjas” e não oferecendo recursos financeiros e estruturais às campanhas. Isso demonstra que a desigualdade não está apenas no resultado eleitoral, mas no processo político.
Apesar disso, há avanços que indicam novas perspectivas. Programas de formação política, como a Escola do Parlamento e iniciativas como o projeto “Elas no Congresso”, ajudam a fortalecer lideranças femininas. Do mesmo modo, o aumento do debate público sobre representatividade e a atuação de movimentos feministas ampliam a conscientização social. Esses avanços dialogam com o pensamento de Marielle Franco, vereadora e símbolo da luta por direitos humanos, que defendia a ocupação de “lugares que nos negaram historicamente”.
Portanto, para ampliar efetivamente a participação feminina na política brasileira, é fundamental que os partidos cumpram as cotas de forma responsável, garantindo financiamento e estrutura às candidaturas. Além disso, campanhas educativas e mecanismos rígidos de combate à violência política devem ser fortalecidos. Dessa forma, será possível construir um ambiente democrático inclusivo, no qual as mulheres tenham participação plena e reconhecimento em todas as esferas de poder.