Caminhos e perspectivas: a participação feminina na política brasileira

Enviada em 09/02/2023

“A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação.” A afirmação atrubuída ao dramaturgo Oscar Wilde, pode ser aplicada aos caminhos da participação feminina na política do país, já que é a falta de incômodo social diante dessa vicissitude que a consolida como um regresso no Brasil. Nesse sentido, tal situação de indiferença tem como origem inegável o histórico machista ainda enraizado na mentalidade dos cidadãos. Assim, não só o descaso do governo

como também a omissão escolar contribuem para a naturalização desse óbice.

A princípio, ressalta-se a indolência do governo em incentivar ações para reduzir essa adversidade, como a criação de mais cargos na área com formação acadêmica direcionada a fim de inserir mais mulheres na política. Seguindo essa análise, corrobora-se a lenta disponibilidade ao voto para as pessoas do sexo feminino no Brasil, visto que só foram conquistar esse direito em 1932 por meio de movimentos e protestos feministas, os quais asseguraram a atenção popular. Tal contexto ocorreu de modo oposto nas décadas anteriores em que somente homens maiores de 21 anos que não fossem analfabetos, religiosos e militares podiam votar.

Ademais, também se salienta o apoio escolar, o qual por mais que interfira atualmente em maior grau no entendimento do aluno sobre seus direitos, ainda segue sendo em proporções escassas. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim a escola é responsável por desenvolver o censo crítico e as oponiões do indivíduo, desse modo, ao se omitir das escolhas políticas da comunidade ela não estará cumprindo o seu papel social sem fomentar no estudante a capacidade de questionar e lutar pelos seus privilégios humanitários.

Portanto, é dever do governo federal, na condição de garantidor dos direitos individuais, promover medidas para sanar esse óbice. Para tanto, é necessário, mediante a liberação de verbas do governo às escolas, a inserção de palestras, sobre a primordialidade da mulher na sociedade, bem como, apresentações acerca da educação politizada entre os alunos. Em suma, se almejará a desconstrução de concepções conservadoras sobre o sexo feminino e se concretizará a afirmação feita por Oscar Wilde relativo ao progresso da nação devido à sua insatisfação.