Caminhos e perspectivas: a participação feminina na política brasileira
Enviada em 09/02/2023
Manoel de Barros, grande poeta pós modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste” cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica da barrosiana, é preciso valorizar também a problemática de caminhos e perspectivas: A participação feminina na política Brasileira. Nesse sentido, é importante analisar o estereótipo do papel feminino na sociedade e a e a invalidação de mulheres ocupando cargos de importância.
Diante desse cenário, destaca-se a pressão social para que a população feminina siga caminhos específicos que não incluem política. A esse respeito, o termo “energia feminina” ficou muito famoso nas redes sociais por ser uma sequência de regras sobre maneiras de agir e pensar que meninas precisam ter para serem consideradas bonitas e interessantes. Entretanto, os princípios que esse termo defende nada mais são que o investimento para criar um público feminino fragilizado, recatado e submisso. Enquanto isso, estímulos para que mulheres atinjam candidaturas nos partidos políticos são deixados em segundo plano. Torna-se imprescindível atitudes que reverter esse quadro.
Diante desse contexto, é preciso pontuar como a falta de relevância direcionada ao gênero feminino durante as candidaturas afeta o avanço de mulheres nas eleições. A título de ilustração, o livro Questão de química conta a trajetória de Elizabeth Zott, uma química dos anos 50 que teve sua pesquisa sobre a biogênese violada e ignorada quando outros cientistas notaram que tinha sido feita por uma mulher. Em paralelo com a realidade, o esforço de deputadas, prefeitas e senadoras também tem seu valor reduzido, de forma que abaixa as expectativas de mulheres que gostariam de entrar no ofício. É essencial que a lógica barrosiana seja aplicada a fim de mitigar os males relativos a essa temática.
Portanto, urge que as grandes mídias sociais - a exemplo TV e jornais - se comprometeram a transmitir tanto a história quanto as propostas de mulheres na política, por meio de programas em horários nobres, com escopo de estimular a entrada de novas garotas nas candidaturas e valorizar o combate à desigualdade na competição eleitoral. Assim será criado um Brasil melhor.