Caminhos e perspectivas: a participação feminina na política brasileira

Enviada em 14/02/2023

Segundo a escritora Simone de Beauvoir, o gênero feminino é condicionado pela sociedade em que está inserido. Nesse contexto, a cultura brasileira apresenta um caráter opressor às mulheres, em que elas, são influenciadas a assumirem papéis atrelados à feminilidade. A partir desse cenário, é necessário compreender como essa cultura é refletida dentro da política, uma área predominantemente masculina, e como superá-la.

Em primeiro lugar, é válido pontuar que a pequena participação feminina na política é um reflexo do desnivelamento entre os gêneros na democracia. Isso ocorre porque, como mencionado pela jornalista britânica Caroline Criado Perez, o campo político é hostil às mulheres, uma vez que elas são tratadas de maneira diferente dentro da sociedade, e com isso, demandam necessidades divergentes a dos homens. Sob essa ótica, é perceptível que apesar de representaram mais da metade da população brasileira, as reivindicações femininas são consideradas triviais, dado que ocupam menos de 15% dos cargos eletivos, de acordo com o IBGE. Assim, as mulheres são excluídas das decisões políticas, o que resulta em um panorama antidemocrático.

Ademais, é importante ressaltar que a falta de acesso feminino aos recursos básicos é refletida na atualidade. Isso é exemplificado pela escritora Viriginia Woolf, em que, por meio de uma alegoria, ela evidencia que para uma mulher produzir uma obra, é necessário apenas um teto e domínio sobre a sua vida – ambos fatores inacessíveis até o início do século XX no Brasil. Ao seguir essa linha de pensamento, a medida que a mulher não tem acesso à ambientes educativos e à política, a inclusão destas nas decisões administrativas é diminuída, o que reforça a disparidade entre gêneros, e consequentemente, desigualdade política.

Portanto, medidas são necessárias a fim de que as mulheres apresentem maior participação política. Para isso, o Tribunal Superior Eleitorial, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, deve proporcionar maior participação feminina, a qual, por meio de uma proposta de cotas no sistema eleitoral, a fim de que as disparidades entre gêneros seja diminuída e mais mulheres sejam eleitas.