Caminhos e perspectivas: a participação feminina na política brasileira

Enviada em 01/05/2023

“É de natureza da cultura tornar natural o que não é”. Afirmação do historiador Leandro Karnal que caracteriza com excelência a problemática acerca da falta de representatividade feminina na política. Nesse sentido, essa situação de indiferença, tem como origem inegável práticas de desigualdade entre gêneros. Assim não só o machismo estrutural, como a negligência governamental demonstram a naturalização desse quadro impertinente.

Sabe-se que desde os primórdios, como na Grécia Antiga, as mulheres não possuiam direitos políticos e sociais, a falta é notada pela proibição de suas participações em debates relevantes para o bem estar e harmonia da sociedade, analogamente à inexpressiva presença de figuras femininas no cenário político brasileiro atual. A participação das mulheres na política ainda é impossibilitada pelo imaginário patriarcal da população, onde as mulheres são rebaixadas e vistas como incapazes de comandar cargos de espaço público. Pesquisa da página Exame, “As pioneiras que abriram o caminho para as mulheres na política”, aponta que as cidades que são governadas por mulheres são pequenas e pobres, tornando contínua a falta de perceptibilidade das mulheres em cargos como estes.

Ademais, a Lei 12.034 tornou obrigatório o preenchimento do percentual mínimo de 30% para candidaturas femininas em cada partido, o que cooperou para um aumento de 9%, de 2010 para 2014, no entanto, mesmo com a existência de leis que exijam maior engajamento das mulheres na política brasileira, a escassez persiste. A falta de distribuição efetiva de cargos nos espaços de poder dentro dos partidos, é um fator agravante, e que possibilita más perspectivas sobre o futuro de mulheres formadas e pós graduadas no quadro da política do Brasil. As figuras masculinas tem oportunidades maiores com níveis de formações menos especializados, ótica a qual apresenta a desigualdade de gêneros praticada por órgãos públicos brasileiros.

Portanto, cabe ao Poder Executivo, como o nome pressupõe, executar, fiscalizar e gerir as leis do país. À mídia, cabe promover propagandas eleitorais exclusivas às mulheres, em horários favoráveis, para que assim, a participação política feminina tenha visibilidade, e que a falta dela não seja normalizada no Brasil.