Caminhos e perspectivas: a participação feminina na política brasileira

Enviada em 25/05/2023

Segundo a Constituição Federal de 1988, o direito a participação política é garantido a todos cidadãos brasileiros, independentemente de seu gênero.

Sob essa perspectiva, a baixa participação na política se cristaliza como uma clara

violação ao estamento burocrático brasileiro, além de uma injustiça. Para combater essa mazela, é necessária a análise dos propulsores desse contexto hostil que podem ser de viés histórico e também ideológico.

Em primeiro lugar, o Brasil é um país que conseguiu apenas recentemente garantir o papel da mulher na sociedade, e esse traço histórico pode trazer consequências até hoje. É válido ressaltar, que o direito ao voto feminino foi conquistado, nos Estados Unidos no ano de 1920, na Inglaterra em 1918 e no Brasil, em 1932, com baixa aderência de mulheres na vida pública, mesmo após essa garantia. Desse modo, a lentidão do Brasil para democratizar esse direito e a falta de políticas públicas para aderir mulheres a política desde então, pode ter sido um propulsor.

Outrossim, a falta de participação feminina na política brasileira também têm raízes ideológicas. Por mais de 2 décadas o Brasil flertou com o fascismo e com nazismo, durante o período do governo de Getúlio Vargas o até então presidente, entregou a ativista, Olga Benário, companheira de Júlio Prestes, para o regime do Terceiro Reich, e posteriormente foi descoberto que essa foi executada em um campo de concentração. Dessa forma, é possível concluir que pelas raízes idológicas entranhadas na República Brasileira, desde seu príncípio, existe algum nível de intolerância a minorias e essa intolerância reflete em hoje em dia essas não haverem representação legal e política ativa.

Dessarte, para democratizar a política para mulheres são necessárias políticas que vão na contra mão do contexto histórico-ideológico do Brasil, inserindo as minorias que por durante muito tempo foram excluidas. Para isso, é dever do Estado, por meio do Congresso Nacional, criar medidas que obriguem os partidos políticos a destinar certa quantia, definida posteiormente com base na necessidade, para as campanhas políticas femininas, isso com finalidade aumentar sua representação no Congresso, Senado, Prefeituras, Câmaras e na vida pública em geral.