Caminhos e perspectivas: a participação feminina na política brasileira

Enviada em 09/06/2023

“O homem é um animal político”. Essa máxima, dita pelo filósofo grego Aristóteles, evidencia que mesmo no berço da democracia, a vida pública girava em torno da figura masculina. Paralelamente, na contemporaneidade, tal realidade persiste: as mulheres têm pouca participação na política brasileira. Dentre as causas geradoras deste panorama de desigualdade representativa estão o machismo estrutural na sociedade, bem como a ineficiência governamental no que tange à resolução da problemática em questão.

Embora haja leis que regulamentam a presença feminina na política, a quantidade mínima estipulada pelo governo é pouco significativa. De acordo com dados do IBGE, apesar de compor a maioria da população, as sanções estipulam a presença de apenas 30% do feminino em campanhas eleitorais. Além disso, mesmo com a legislação vigente, as cotas pouco têm contribuído para resolver a sub-representação feminina no meio, uma vez que os homens ainda recebem a maioria dos votos. Como consequência, nota-se que pautas importantes acabam sendo pouco visadas, tais como pobreza menstrual e licença maternidade.

Outrossim, evidencia-se que a maior porcentagem de homens eleitos é reflexo do machismo estrutural. É inegável a percepção de que os homens são tidos como mais aptos para cargos de grande relevância. Isso ocorre pois, de acordo com a socióloga Simone de Beauvoir, em sua obra “O Segundo Sexo”, as mulheres foram relegadas a uma posição de inferioridade social e política devido às estruturas patriarcais presentes da sociedade. Com efeito, tal conjuntura é internalizada e reproduzida, tornando, dessa maneira, indispensável a luta para que esse ciclo que prejudica o desenvolvimento nacional seja quebrado.

Diante disso, o Governo deve implementar campanhas de educação política que atinjam a sociedade em geral, bem como apoiar e subsidiar lideranças e projetos femininos que propõe mudanças sociais, por meio de incentivos financeiros, a fim de evidenciar e valorizar a capacidade política de brasileiras de destaque. Com isso, pretende-se aumentar o número de mulheres ocupando cargos políticos relevantes, contribuindo, assim, para a construção de uma sociedade mais igualitária e demonstrando que a mulher também pode ser um ser político.